10.1.09

A pila e o problema do frio

É apropriado dizer que está um frio do caralho, caralho! Venho agora da rua e sinto que a minha meita congelou dentro dos tomates. Os meus colhões são duas pedras de gelo (sem uísque), o tronco é um termómetro de mercúrio, cresce com o calor, mingua com o frio. É fodido, um gajo sentir-se neste estado apático de boneco de neve, sempre à mercê de narizes acenourados, e preso a um estaticismo disforme que a partir dali já só pode derreter o que quer que exista. E agora, para somar ao frio, veio a chuva.

Os meteorologistas, esses visionários da vontade dos céus, afiançavam que a noite traria neve às franjas da capital: se chovesse, era garantido. Já passa das três da manhã, lá fora está a chuviscar, mas a verdade é que os flocos de neve devem ter-se transformado em bocadinhos de chocapic e voaram para outro prato que não o nosso.

Detive-me com a cabecinha do lado de fora da janela, à mercê do frio e de alguma moçoila mais atrevida em período fértil, observando com atenção a chuva tímida que caia, procurando perceber ali uma vaga semelhança com um ou outro floco de neve: nada, neribite, nestum!

E nunca para mim fez tanto sentido uma canção de José Cid.



(Actualização: não sei se alguém observou com atenção estas imagens de um especial de Natal da RTP, mas na segunda parte do vídeo é possível ver um gato ser enrabado por José Cid. Reparem bem no ar constrangido do bichano.)


Senti-me a pregar para o ridículo, tal como o pobre do Zé Cid e os seus êxitos milenares. A última vez que me senti neste estado de comiseração palhaçal foi no Verão de 1993, na madrugada de 12 para 13 de Agosto, quando o astrónomo Máximo Ferreira, essa figura sinistra da arte de bem ver estrelas cadentes em toda a sela, aconselhou Portugal inteiro espetar o nariz na direcção do céu e olhar para a Constelação de Perseu, ali algures no firmamento, onde naquela noite choveriam milhares e milhares de perseidas. Tal como hoje, não choveu nada, lá por casa Máximo Ferreira terá rebolado a rir com a figura triste que o país fez à conta dele, e ficámos todos com os narizes para o ar, a fazer figuras de parvo, figura de bonecos de neve, de nariz acenourado. Fodam-se!

7 comentários:

quase Eu disse...

ahhahah
tens aqui um cantinho porreiro... vou visitar mais vezes de certo...

Ps - agasalha-o bem ;p

Bruno disse...

Quase Tu, volta quase sempre, é quase um prazer ter-te quase cá. Quase beijos.

quase Eu disse...

;P

lool, após ter lido alguns post de seguida vejo que tens uma inspiração divina... ahhhah
Vou voltar quase aqui quase sempre que puder (",)

Anónimo disse...

Bruno, como é óbvio, quem escreve num blogue e tem os comentários abertos, sujeita-se a ler todo o tipo de "opiniões" vindas de pessoas perfeitamente desconhecidas e que também não nos conhecem de todo.Até aqui,é perfeitamente aceitável. Inaceitavel é que um adulto, por não ter gostado de ouvir uma dessas opiniões, em tom de brincadeira, resolva vingar-se como se de um puto se tratasse.
Tu não me conheces de lado nenhum e não tens o direito de comentar os meus posts no tom ofensivo que usas. Tens o direito de discordar do que escrevo, isso eu respeito, mas não de ofender.
Perguntaste "qual era o mal dos comentários?"...eu relembro-te: "Se tens assim tanto frio veste aquelas calcinhas chouriço mouro, rega-te com bagaço, e põe-te a assar numa assadeira de barro! Vais rodando para ficares quentinha de todos os ângulos."
Mais uma vês a piadola infantil e gasta aos jeans; regar-me com bagaço e pôr-me a assar, etc...é de mau gosto e completamente ofensivo.
Escreveste que tenho que arranjar algo que me aqueça, ó Bruno, um post é uma estória, não deves pela sua leitura tirar conclusões ou atirar "postas de pescada" para o ar.

No post anterior chamaste-me, por outras palavras, fútil.
Enfim...

Faz-me um favor. Deixa de visitar o meu blogue! Acho que já tiveste oportunidade de te vingares do facto de eu discordar do discurso que escolheste para os teus heterónimos.

Uma pergunta, apenas para pensar, não quero saber a resposta...a vida está zangada contigo ou tu é que estás zangado com ela?

Sem te conhecer e apenas pelas tuas atitudes, um conselho: CRESCE!

Bruno, a meu ver este "universo" é umm espaço de distracção, continuamos a visitar os blogues a que achamos interesse, piada, ou que simplesmente nos dão algum prazer ler, mesmo sem um motivo concreto. Aqueles com que não nos identificamos, vamos lá uma vez e não voltamos. É assim, acho eu.

Por favor apaga este comentário porque esta conversa não faz sentido fora do contexto.

Fica bem!
ana

Bruno disse...

Ana, muito bom dia!

Não compreendo tamanha mágoa, mas aceito que não queiras ver-me (verme) por perto. Não há problema.

O meu comentário nada tinha de ofensivo, antes pelo contrário, vinha no seguimento de algo que tu própria escreveste (que tinhas adquirido um par de calças que faziam de ti um chouriço mouro), nem foi escrito em tom de vingança pelo facto de teres feito um comentário do qual eu poderia não ter gostado.

Em abono da verdade, deixa-me dizer que o teu comentário foi acolhido com a normalidade de quem aceita todas a opiniões fundamentadas e jamais seria alvo de qualquer vingança. Nem isso faz parte da minha forma de ser.

Nunca te chamei fútil, e nem sequer o pensei. Essa interpretação nasce da tua interpretação, passe a redundância. Apenas coligi factos (verdadeiros, assim se pensa). Se és fútil ou não, isso é contigo, não tenho nada a ver com isso.

Escrevi que tens de encontrar algo que te aqueça, porque dizias que tinhas frio e não havia meio de te aqueceres. Tens de encontrar algo que te aqueça, volto a dizê-lo (haverá neste comentário alguma coisa de ofensivo?, pergunto-me.)

Não creio que a vida esteja zangada comigo, eu apenas me deixo guiar pelos caminhos que ela me proporciona. Mas pergunto-te, com essa impressão que ficaste dos meus comentário (que eram inocentes, se houve algo de perverso foi a interpretação que deles fizeste), pergunto-te eu se a vida te pregou alguma rasteira para abrires o livro da indignação sobre mim, que apenas me limitei a escrever o que pensava, que não fui ofensivo, e que nunca agi por vingança, até porque não teria razões para tal.

Beijinhos, Ana.
E volta sempre!

Anónimo disse...

Muito boa tarde!
Sabia que ias responder...sabia tb que ias argumentar que não foi má a intenção e blá, blá, blá...

Todas as pessoas são bem vindas ao meu espaço, se vierem por bem.

Resposta: A vida já pregou-me algumas rasteiras e eu tb já lhe preguei outras tantas.

Beijinhos, Bruno
(tão educadinhos que nós somos)

ana

Anónimo disse...

Emenda: "já me pregou"

:)