30.1.09

Lembram-se do Dirceu Borboleta? (granda maluco!)











Não sabia o que era isto até um grande amigo vir ter comigo e partilhar que a namorada dele, uma rapariga comoventemente tímida e pouco dada a assumir publicamente quaisquer delírios sexuais, lhe tinha dito que queria experimentar a borboleta.

O meu amigo, sempre disposto a grandes cavalarias, ou não fosse ele ribatejano e pronto a alimentar-se em estrebaria alheia, perguntou-me o que poderia eu dizer-lhe sobre a borboleta sexual e de que modo isso poderia ajudar a melhorar aquela relação titubeante.

Exprimi-lhe a minha ignorância, não fazia ideia do que aquela merda era, as únicas associações - básicas, diga-se - que me ocorriam entre uma mariposa e o sexo remetiam-me para o bicho da seda (carrapetas que se podem encontrar neste país em alguns vaginídios que pecam por falta de asseio ou excesso de arvoredo), ou para o lepidóptero já no seu estado adulto, cujas feições se assemelham às do órgão sexual feminino.

Fui por aí. Procurei investigar, perdi-me nos compêndios da vida sexual e acabei por descobrir essa história da borboleta. Fiquei a saber que tem a ver com pôr a boquinha naquilo, sendo que aquilo é a coisa dela, e a boquinha é a nossa, que elas gostam de nós geralmente é calados (embora insistam no contrário).

Pois bem, a arte da borboleta sexual é uma técnica de sexo oral que vai muito além do simples minete, do simples afago bocal do clitóris, da vulva e da vagina da mulher sedenta. A borboleta, diz o marmelo que descobriu esta merda, leva a mulher ao êxtase em pouco mais de dois minutos, e a ter cinco orgasmos de enfiada (salvo seja, porque enfiada ela nunca está). Esta é uma descoberta que, em termos de importância, está no mesmo patamar do teletransporte. É rápido, é barato, e leva-nos a qualquer parte em menos de um cagagésimo de pintelho.

A descrição da borboleta sexual pode ser encontrada aqui, mas se necessitarem de algum esclarecimento, ou se existir alguma leitora que pretenda uma demonstração ao vivo (tal como se faz com a Bimby), só terão de me contactar.

Quanto ao meu amigo, e depois das nossas pesquisas e explicações, lá foi treinar com a namorada, e ao que consta têm estado a aperfeiçoar a técnica. A jovem tímida, noto-a agora mais liberta, sinto que ganhou asas.

Abençoada crisálida!


(O que me parece extraordinário nesta técnica, é associar ao sexo oral os cinco tipos de sons distintos, que funcionam com a passagem do ar, entre os quais o de um besouro, e também de outros insectos! Weird, very weird! Mas muito bom, maravilhoso!)

Sinto-me com sorte

Eu cá não sou de intrigas, bem sabem. Mas há pouco precisei de fazer uma pesquisa no Google, escrevi

" o sócrates é honesto "


depois, carreguei em "sinto-me com sorte".

E saiu-me jackpot!

Um post sério

Queria ter a capacidade para escrever aquelas merdas inteligentes que os profetas e senhores dos blogues todos os dias publicam nos seus espaços. Sinto que não fui feito para isso. Estou para a escrita como aquele senhor do cabelo espetado que fala de manhã no programa da Fátima Lopes está para a heterossexualidade. As únicas letras às quais vou conseguindo pôr cobro são as do banco para pagar as obras na piscina, de resto sinto-me um buseiro à procura de sobreviver nas águas empestadas do Rio Alviela, ou de qualquer outro de iguais características visuais e olfactivas. Sou, por assim dizer, um homem fora do seu tempo, um retornado da colónia das ideias, um escritor sem palavras nem arte para as inventar.

Por isso muitas vezes me sinto obrigado a socorrer-me de termos geralmente ausentes do vocabulário corrente dos abastados intelectos que se dedicam à leitura deste diário. São os resultados de uma inquestionável falta de capacidade e curteza de vistas, que acabam quase sempre por me fazer resvalar para essas indignidades. Reitero o meu pedido de desculpas a quem possa sentir-se perturbado com tais aleivosias, para não dizer insídias, e renovo o convite para que por cá passem sempre. Acreditem que no peito dos desafinados também bate um coração.

29.1.09

Conselho de amigo













Um estudo extremamente inteligente, feito por uns gajos quaisquer com um cérebro do tamanho de uma ervilha, concluiu que o soutien - aquela merda que todos nós, machos bem nutridos, desejariam que não existisse, e que serve para emprateleirar os biberões das gajas - pode estar na origem de dores de cabeça e outros problemas.

Dores de cabeça que não devem em circunstância alguma ser confundidas com dores no corno, já que essas configuram uma realidade completamente distinta. Um modo de vida alternativo, alguns dirão.

O soutien provoca dor de cabeça, e imagino que quanto maior for o par de mamas da gaja em questão, maior será o chinfrim instalado na mioleira dessa grande maluca.

Ou seja, rapaziada, quando a puta da vossa namorada se armar em cona de sabão e argumentar que está com um relógio de cuco com diarreia enfiado no casco, vocês só têm de se virar para ela enquanto afagam o margalho (para o gajo não arrefecer) e proferir o seguinte impropério:

— Dói-te a **** da cabeça, *******! Então tira a ***** do soutien, que é isso que te anda a pôr os miolos a dançar o kuduro.

E depois saltam-lhe para a espinha, como se nada tivesse passado! Vão ver que ela vai gostar deste joguinho de sedução...

28.1.09

Será que vai chover?












Quase toda a gente que visita este blogue enferma dessa qualidade que é a chamada "taradice sexual". Digo, quase toda, porque existem duas ou três excepções de raparigas com uma educação católica e acostumadas a rezar o terço todo o final de tarde antes de se acomodarem na cadeira e lerem as atoardas que aqui se escrevem.

Portanto, quase toda a gente (excepto essas duas gostosas amigas leitoras) sabem perfeitamente o que é a chuva dourada. Não sou adepto da prática, porque se há coisa de que não gosto é que me mijem para cima. Estar ali, deitadinho com o pau entesado, e ter a minha parceira a fazer repuxo com urina para cima do meu corpo esbelto. É merda que não me cheira.

Sei que muitos dos leitores apreciam a chuva dourada. E para esses deixo este link bastante agradável. Basta escreverem o nome da cidade onde se encontram e saberão imediatamente se no sítio onde estão há direito a chuva ou se ficam a seco.

27.1.09

Ainda o caso Freeport... Cheira-me que...

Pelo andar da carruagem, cheira-me que o José Sócrates vai safar-se desta sem sequer precisar de sujar as mãos.

Regra com excepção

A bem do conforto dos nossos inúmeros leitores e da fluência que se pretende para os passeios bloguísticos da nossa audiência, a partir deste momento limitamos a dimensão dos textos aqui publicados. Estes terão necessariamente um máximo de 163 palavras (existe uma razão cabalística, mas cuja explicação não cabe no post, quem quiser saber mais detalhes poderá questionar-me em privado). Este esforço de síntese vai permitir-me também abordar uma maior variedade de temas. Vocês vão gostar. Provavelmente vão até ficar num excitex! Mas isso já não me diz respeito, virem a mangueira para lá ou a fenda mágica para acoli...

Qimonda















Quimonda
faz-me lembrar uma mulher excessivamente gorda (uma bardajona, pois então) com um insaciável apetite por sexo, uma matrona ninfomaníaca. É só o que penso de cada vez que vejo aqueles pobres coitados à espera de ir para o olho da rua. Imagino uma largueirona a aproximar-se de mim à espera de me fazer perder debaixo dela, como um explorador que se perde num bosque denso e nunca mais aparece. Uma Qimonda.

26.1.09

Horóscopo Balança







MARCO RIBEIRO

Balança! Balança é uma coisa que eu gosto. Aquela mamas grandes quando elas se abanam e balançam, é o melhor que há.

“A sua facilidade de expressão estará favorecida, pelo que poderá ganhar coragem para transmitir o seu amor a alguém. Aproveite este momento de harmonia.”

Eu adoro transmitir o meu amor a alguém, especialmente em forma de esperma.

Horóscopo Virgem








MARCO RIBEIRO

De seguida, passaria à Virgem. Aquelas personagens que não duram muito tempo, graças a machos bem nutridos, como nós. (RISOS)

“É agora tempo mais fácil partilhar sentimento e emoções. Verá que sentirá maior capacidade para resolver coisas que pareciam ser um problema e que afinal não o são.”

Isto já não é para virgens, mas para ex-virgens!

O Festival da Canção dos tempos modernos

Este ano, vamos ter um festival... do bizarro. Senão, reparem nos candidatos que passaram à última fase eliminatória e que podem ser escolhidos para a grande final: Há os regressos da Nucha e do mítico Armando Gama, este último com a secreta esperança de voltar levar para casa a apresentadora do festival. Há depois os valores emergentes da música nacional, os "ídolos" Nuno Norte, Sérgio Lucas. Vedetas do popular, Romana, Tayti, Fernando Pereira (não é esse que estão a pensar). E para além destes cantores, também podem votar nos airbags da Luciana Abreu, com sotaquezinho. E toda esta molhada está sujeita a votação no sítio da RTP. É de lá que vão sair os 12 apurados finais. A nossa desgraça europeia. Por lá, o incauto cibernauta pode escutar o primeiro minuto e meio de cada canção, e depois de avaliar, botar o votar nas que menos ruído causem. E para não destoar parece que já existiu marosca nas votações online, a própria RTP não esconde esse facto. O que desde logo deixa muito a desejar sobre a justiça deste tipo de concursetas.

25.1.09

O Festival da Canção no meu tempo

















Quando era puto gostava tanto de conguitos como apreciava o Festival da Canção. Infelizmente, nem uns nem outro voltaram a ser os mesmos. O Festival da Canção era aquele momento mágico da grelha de programação da nossa RTP, que nessa altura se via e desejava para apresentar programas de variedades com alguma qualidade (excepção para o mítico Sabadabadu). Havia o humor sem malícia, do Nicolau Breyner, do Raúl Solnado, do Badaró. As legendas eram gordas como chaputas do Tejo e tremiam no ecrã. Os bons filmes escasseavam e só eram vistos anos depois de terem estreado no cinema. E era se não apresentassem cenas eventualmente chocantes, porque aí logo os grupos radicais que defendiam a moral e os bons costumes surgiam à tona para porem o país na ordem. Ah, bons tempos!

E deixem-me recordar-vos que sou fruto das castas do 25 de Abril, portanto dado já à maturação em pleno espaço de liberdade, assim se dizia. Portugal era cinzento, existiam algumas boas séries, e as novelas ganhavam o seu espaço. O país começava a abrasileirar-se. Embora as dançarinas de varão do outro lado do Atlântico só começassem a chegar já nos inícios da década de noventa.

Mas uma vez por ano, como uma orgia daquelas em que vale tudo menos tirar olhos, havia o Festival da Canção. Era aquela oportunidade para ver o Eládio Clímaco e a Ana Zannati brilharem a grande altura, para nos rirmos imenso com os júris regionais, e para nos dois meses seguintes sonharmos com a utopia de uma classificação excelente na Eurovisão.

Invariavelmente, as nossas expectativas ruíam ao fim das primeiras cinco ou seis votações dos júris estrangeiros, quando verificávamos que a canção portuguesa era um fiasco internacional e que por lá continuaríamos na cauda da tabela com aqueles infaustos zero pontos do costume

Hoje cresci, o Festival da Canção já não é a mesma coisa. Quem participa, quem vence, já não fica para a História da música portuguesa, as canções têm pouca qualidade, o modelo não convence, e já ninguém liga ao concurso das canções. Sugiro uma visita ao sítio da RTP, onde pode ver-se uma lista de todos os vencedores do Festival. Digam-me, alguém se lembra das canções que saíram vitoriosas dos concursos dos últimos anos. Eu também não. Portugal mudou. Até os conguitos estão diferentes.

p.s. para os interessados, o You Tube tem disponíveis todas as participações nacionais nos Festivais Eurovisão da Canção, a cores quase todas elas, enquanto por cá sobrevivíamos ainda num universo tingido a preto-e-branco. Rever aquelas imagens pode ser uma surpresa para muita gente. Como foi para mim...

Horóscopo Leão








MARCO RIBEIRO
A seguir o Leão, algo com que eu me identifico, apesar de ser de outro signo. “Lembre-se que, quanto melhor se conhecer, melhor poderá exercer a sua criatividade e generosidade, e melhor poderá entregar-se aos outros.” Isto é um signo algo apaneleirado, que, para já, começa com um apelo à masturbação e a “conhecer-se melhor”.

RICKY
O famoso esgalhar do pessegueiro. E não há pessegueiro que não deseje ser esgalhado. Aliás, temos aqui grandes exemplos disso.

MARCO RIBEIRO
E não há macaco que não goste de ser espancado.

Freeport e o Sócrates (2)

O Sócrates - o nosso, o legítimo - tem, já o sabemos, o dom da retórica - o mesmo acontecia com o outro, o filósofo que tomou a cicuta. Isto nada tem a ver com o que vem a seguir, foi apenas algo que assomou ao meu pensamento quando ia começar a escrever estas linhas.

Pontos a reflectir sobre esta alegada ligação inglesa de Sócrates.
  • Que relação existe entre este caso Freeport e a investigação ao desaparecimento de Maddie?
  • O inglês técnico no qual Sócrates se especializou durante a Licenciatura em Engenharia seria suficiente para uma comunicação escorreita lá com o tal senhor Smith?
  • Alguém viu Sócrates de luvas calçadas nos últimos tempos?
  • Estará Sócrates disponível para avançar para um clube inglês ainda durante a janela de transferências do mercado de Inverno?
Sobre Sócrates e as relações com as terras de Sua Majestade e um eventual ingresso no futebol inglês, volto a deixar esta pérola que já por aqui passou e que talvez ajude a esclarecer um pouco do que se passa, ou simplesmente a embrulhar um pouco mais o novelo.



Esta gravação é apenas uma paródia, é obvio para nós que José Sócrates é irmão de Peter Pan e o seu nome rima com honradez, amizade, bom feitio. Sócrates é o Obama português, antes de o Obama americano ter aparecido. Aliás, há duas personagens pelas quais eu ponho a mão no fogo... Além de Pedro Santana Lopes, é claro que a outra é José Sócrates. E se me queimar, tenho já aqui umas luvinhas, daquelas anti-fogo...

Freeport e o Sócrates

Retirado da Wikipédia sobre o filósofo Sócrates:

"Política: Diz-se que Sócrates acreditava que as idéias pertenciam a um mundo que somente os sábios conseguiam entender, fazendo com que o filósofo se tornasse o perfeito governante para um Estado."

Que pena tenho de não ser sábio...

O Freeport e a Quercus

Alguém explica ao Francisco Ferreira que ser calvo, praticamente careca, e insistir em usar nas bermas cabeleira farta encaracolada não resulta bem...

As mamocas da Maya













A taróloga Maya é o no fundo nosso Michael Jacksonzinho... Uma espécie de pequeno monstrinho à portuguesa, atracção principal de uma qualquer feira do social bizarro.

O pasquim 24 Horas noticiava esta sexta-feira em primeira página que "Maya vai hoje pôr maminhas novas". Ou seja, vai receber umas bombocas novinhas em folha, vai ganhar dois apêndices corporais da maior dimensão, mas cuja utilidade nesta altura não me ocorre.

Folheando o jornal, e chegados à penúltima página, a notícia em desenvolvimento, e mais uma pérola do jornalismo: "Hoje é dia de mamocas novas!"

Fica a saber-se que Maya vai aumentar o peito (coisa que é muito comum ver-se, sobretudo em tempo de praia, nos areais deste país, é só artistas de peito feito, pessoalmente o único peito de que posso orgulhar-me é o peito do pé), e que está-se a cagar para os supostos namorados que lhe arranjam. A notícia termina com uma citação da relações públicas (ao que consta esta senhora organiza eventos, além de ser porteira de uma discoteca da moda em Lisboa, tem portanto um poder do camandro), diz que não vai por enquanto "mexer no bumbum".

Pergunto eu: que mal fizemos nós ao mundo para levarmos com esta merda?

24.1.09

Horóscopo Caranguejo








MARCO RIBEIRO

Passaria agora para o Caranguejo - e gostaria de dedicar isto a todos aqueles que gostam de fazer as coisas a andar para trás. “A sua imagem pessoal e presença terão maior aceitação, se valorizar o seu aspecto e postura. Vai mesmo sentir aquela sensação de realização.” Portanto, quando eu falava sobre pessoas que gostam de andar para trás, sentir aquela sensação de realização: já lá está, todo lá dentro. Empurrar-lhe o cocó para o intestino!

23.1.09

A minha fabulosa corrida no 570 (a evitar)














Tenho a dizer com toda a seriedade que não temos por cá os taxistas mais filhos da puta de todo o mundo e sequer de toda a Europa (contando que a Turquia possa ser considerada parte do continente Europeu).

Esses estão noutros países cujos nomes me dispenso a referir, mas que por casualidade pertencem todos ao eixo mediterrânico e que vão desde os inefáveis espanhóis - que fingem não perceber um caralho do que a gente diz, mas que sabem reconhecer as notas de Euro como ninguém -, passando pelos italianos - que naquele jeito de quem não quer a coisa mas quer, nos dão a volta cá com uma pinta filha da puta -, passando pelos gregos - que é efgaristó para aqui, paracaló para acolá, e quando damos pela coisa, em vez de estarmos na Praça Omónia reparamos que ainda não saímos do mesmo sítio mas já demos trezentas voltas ao quarteirão.

Os turcos são piores. São aquilo que se pode chamar carne boazinha para ser empalada com ferro em brasa quente. Os portugueses, conforme referi, nem são tão maus assim, o problema é que há por aí uns turcos que acham que isto os Jerónimos é a Mesquita Azul e que o Aníbal Cavaco Silva é o Recep Tayyip Erdoğan (ah, nomezinho do caralho!).

Ando bastas vezes de táxi por Lisboa, poderei pronunciar-me com algum conhecimento de causa sobre essa malta, e espero não estar a ofender ninguém, eu que até aprecio o povo turco e não o quero melindrar com estas comparações que envolvem taxitas portugueses.


Agora vou dizer bem dos cabrões dos taxistas tugas

Não posso cair no erro de tecer generalizações abusivas. Os taxistas de Lisboa são em geral boas pessoas, habitualmente pouco tentadas a enganar o cliente (mas se puderem não há volta a dar, é mais forte do que eles, está-lhes na massa do sangue), e quando necessário até ajudam a pessoa que transportam. Eles compreendem que o cliente é o melhor amigo deles, é o sustento deles, é quem lhes leva o pão à mesa. É, no fundo, quem lhe mantém a mulher em casa, e quem lhes garante a vida sexual.

Existe um código de conduta do bom cliente. O bom cliente é aquele que escuta com atenção o homem do traje de luzes (mínimos, médios, mas habitualmente máximos), o que quer dizer que o cliente poderá permanecer calado ao longo de todo o percurso, só terá de evitar contradizer o homem do táxi. E se tiver de o fazer, que seja sempre na perspectiva da existência de um ponto de fuga bem marcado:

"não é bem assim, eles até são boas pessoas, e o Obama lá por ser de cor não se vai vingar agora dos brancos; mas lá que há por aí alguns que era metê-los a caminho dessa ilha e fazer um buraco à proa do navio, lá isso é capaz de ter razão."


Já tive taxistas que me esclareceram sobre dúvidas existênciais ou momentâneas. Já aprendi algumas coisas com alguns. Já cheguei a tempo a alguns locais, fruto da audácia, do arrojo, do arreganho automobilístico de alguns homens do volante. E até já fiquei a dever uma corrida a um taxista, por me ter esquecido de um documento (assunto tratado logo no dia seguinte, com toda a lisura e toda a elevação de carácter da parte desse excelente profissional).

Ter na agenda o número de telefone de um ou dois taxitas é a garantia de estarmos a salvo em algum momento de aperto. Eles formam uma rede cujos tentáculos se estendem a toda a cidade, encontram-se sempre em movimento, conhecem sítios, pessoas, recantos, histórias, são fantásticos. São das fontes mais bem informadas. E se não estiverem informados, trabalharão para tal.


Agora, desculpem lá, caralho, mas vou dizer mal desses filhos de um granda odre

Mas como em qualquer grupo de bons profissionais, há uns que são a escumalha da classe. Acontece assim com os políticos, professores, putas (sem qualquer tipo de analogia entre as três actividades, tirando o facto de todas as palavras arrancarem com um "pê").

Se há coisa que me irrita, é que um taxista se irrite. Porque quando pago um serviço de táxi, não pago para ver um espectáculo de circo. Já tive taxistas que soltaram frases e impropérios capazes de chocar até a minha imaculada indecência. Alguns registaram-se na minha memória como lapas com molho afonso:

(para alguém que atravessava a rua à frente do táxi)

"sai da frente, ó ... devia-se era abrir um buraco na estrada e tu ficares enterrado lá dentro, ó ..."

o mesmo profissional, sobre alguém que apreciava a ostentação:

"ela não ficava contente por dizer que tinha um Cherokee, tinha de dizer que era um 'Grand' Cherokee"

ou esta pérola:

"o meu filho pôs ao meu neto o nome de Yuran, em homenagem a esse grande jogador que passou pelo Benfica."

Já tive taxistas que sairam do taxi com um pedaço de ferro nas mãos para dar uma malha a um transeunte que passou rente ao taxi e levantou vento. Já para não falar nos habituais revisionistas e saudosistas de um Salazar em cada canto, que isto se fossem eles a mandar era uma Coreia do Norte, mas ao contrário, seja lá o que isso for. Até já tive taxistas que inventavam histórias para entreter o cliente, papel no qual embarquei e até contribuí com algumas das minhas criações do momento, para entreter o taxista.


Os taxistas do aeroporto, uma classe mais perigosa do que a dos autarcas e dos banqueiros juntos

Aqui, a regra são os taxistas mal formados e dispostos a levar de assalto a carteira do cliente, e a excepção são os profissionais com intenções honestas e que por ali fazem mais um serviço igual a tantos outros.

É fácil compreender por que motivo o aeroporto é um local tão apetecível. É como uma reserva de caça. As presas caem que nem tordos, e embora os caçadores sejam muitos, têm, em geral, óptima pontaria.

No Aeroporto, existem três tipos de situações, uma das quais o taxista quer a todo o custo evitar.

  1. O cliente é um cámone, não percebe um caralho do sítio onde acabou de aterrar e é levado que nem um patinho. O cliente tem hotel em Cascais ou então quer ir até ao Algarve. Para os cabrões dos taxistas esta música entra melhor do que o último êxito de Mónica Sintra. Mesmo que não muito inflaccionado, um serviço para Cascais, Sintra, ou até para o Algarve é melhor do que uma punheta a dez dedos.
  2. É um mal menor. O cámone chega, não percebe onde acabou de aterrar e pensa que vão ser umas férias de sonho. O que ele não imagina é que ainda agora está a sair do aeroporto e já lhe estão a deitar a mão ao bolso. Já lhe estão a gamar o que não devem. O cliente só quer ir para o Hotel Ritz, ou para o Tivoli, ou para outro qualquer unidade hoteleira em Lisboa. A distânicia é curta, mesmo que se dê umas voltinhas grátis ali nas imediações do aeroporto, mas é um mal menor. A distância é curta, mas o taxista habilidoso encontra forma de inflaccionar a conta, seja pela taxa de bagagem, taxa de nádega demasiado branca no assento, taxa de língua estrangeira, sabe-se lá o que mais...
  3. É o cabo dos trabalhos. Eles fogem desta situação mais do que o Cristiano Ronaldo foge das paredes dos tuneis. É apanharem um cliente português que não esteja para ser enganado. Mal eles notam que apesar de alto, louro, e com uma mochila de ir ao pêssego, o gajo que vão transportar fala e percebe português, põem logo cara de quem lhe corre mal a vida. Estar no aeroporto durante sabe-se lá quanto tempo, e depois cair em sorte um português habitualmente teso que nem um carapau e sem vontade de ser enganado, é o que se costuma dizer fodido. Mas, como em tudo, um dia fodes tu, outro dia fodo eu. E mais fodido se torna, quando o taxista ouve da boca do cliente: "leve-me ali à Expo", ou "olhe era ali para a Rotunda do Relógio, tenho o carro ali estacionado, mas com a mala não me dá jeito ir a pé." Experimentem fazer isto. Ou melhor, não experimentem, se não querem arriscar despertar a fúria de um destes profissionais portadores de stress-pós-traumático do volante.


Histórias com taxistas tenho muitas, e nos mais variados recantos do globo. Acostumei-me em alguns países a negociar a viagem para não ter chatices com estes figurões do volante. Em alguns países negociar antecipadamente não chega. E há alguns países em que a solução deve simplesmente ser evitar andar de táxi. Talvez escreva mais uns posts com essas histórias, algumas merecem ficar registadas e ser lidas pelas duas ou três pessoas que por cá passam.

Os taxistas são seres criados pelo demónio

O que me levou a escrever sobre esta classe foi o facto de ontem ter encontrado um desses taxistas pouco honestos. Chamei um táxi para determinado local, e ali fiquei a aguardar que ele chegasse. O tempo foi passando, e como o táxi nunca mais vinha, liguei novamente a dizer: "mais rapidamente aqui chegaria o rapaz da telepizza com uma alta e fofa, dois ingredientes e extra-queijo", e o vosso táxi nem vê-lo. Do outro lado, aguardei a resposta. "Nós já enviámos, aguarde mais um pouco, está trânsito e tal".

Assim foi, o tempo passou, eu continuava à espera, e tive de voltar a ligar. Resposta da senhora do outro lado: "Ah, houve um equívoco, ele já esteve por aí, mas apanhou o cliente errado, mas entretanto ele já está outra vez a caminho"... Está bem abelha, e continuei à espera, já quase a desesperar.

O taxista chegou, já quase 30 minutos depois da primeira chamada, explicou-me que tinha apanhado o cliente errado e só na chegada ao destino é que se apercebera que não era eu. Uma daquelas histórias mal contadas. A verdade é que por apenas uma chamada fez dois serviços, sabendo que o segundo, eu, estava garantido, ali à espera, enquanto o homem aproveitava para fazer as duas corridas.

Para concluir a bela jornada, em direcção ao destino que lhe pedi para fazer, escolheu um trajecto mais longo do que deveria ter sido, mas como estava mais preocupado com outras coisas e não me apetecia entrar em diálogo não espingardei.

Eles queixam-se da falta de segurança, mas creio que os mecanismos de segurança a instalar primeiro deveriam ser os que protegem o cliente dos roubos de que são vítimas por parte de alguns taxistas. Digo isto porque este era daqueles táxis com uma divisória que separa cliente do resto do mundo. Já não bastava viajarmos dentro de um aquário, ainda somos espoliados dentro desse aquário. Lembrei-me: "esta protecção não te deveria servir de nada, malandro. Devias transportar o Zé Castelo Branco e ele desejar ir à frente ao teu lado, ias ver o que é bom para a tosse".

Fica a referência desta viatura e deste condutor a evitar, era o manfio 570 da Radiotáxis. Ora toma lá, que é fresquinho.



(Leitura aconselhada: a magistral visão de Miguel Esteves Cardoso, em "Os Meus Problemas", sobre os táxis)

22.1.09

Horóscopo Gémeos







RICKY

E porque a dois é sempre melhor do que a um, embora haja teorias que defendam que a cinco é melhor do que a dois (mas eu sinceramente gosto mais a dois), vamos então para o horóscopo desse parzorro, os gémeos, com o Marco Ribeiro.

MARCO RIBEIRO
Gémeos: “as relações especiais ganham, pois, especial importância.” Eu gostava da saber de onde é que vem este “pois”; deve ter sido escrito por um espanhol. “É altura propícia para os seus amigos lhe retribuírem a atenção que sempre lhes tem dado.” Muito provavelmente isto refere-se apenas a gajas. Às gémeas.

RICKY
A atenção, ou disseste a tensão?…

MARCO RIBEIRO

Atenção, atenção. Aliás, gémeas, existe aquela velha fantasia masculina, com duas gémeas louras dinamarquesas, cada uma com um belo par de mamas…

RICKY
A propósito, esta imagem aqui em cima do parzinho de gémeos é um tanto rabeta, não te parece?

MARCO RIBEIRO
Rabiló, diria mesmo... Mas encomenda lá as dinamarquesas...

21.1.09

O dia que Sócrates desceu à Terra

Num momento em que Barack Obama assume os comandos da nação mais poderosa do mundo, convém descermos à terra e recordar um pouco do pensamento socrático, no fundo aquele que alumia o nosso caminho, todo o santo dia...

http://blogsocrates.blogspot.com/


Resgatado ao baú das memórias, mas sempre actual. E saber que temos de acordar todos os dias com esta lengalenga.

Humor cigano

MARCO RIBEIRO
Já que estamos aqui num programa com música cigana, nunca é demais relembrar aquela velha e mítica anedota cigana, em que o marido chega a casa, e, com um sorriso nos lábios por baixo daquele bigode, praticamente sem dentes, vira-se para a mulher e diz: “Maria, trouxe-te um presente”; “O quê, Lello!?”; “Trouxe-te uma máquina de lavar”. Então o gajo vai ao gorro, e tira-lhe um alguidar e um pedaço de sabão.

20.1.09

Adenda ao post anterior

É que uma coisa é entalar o barrote e ter a sogra no quarto ao lado a rezar aos santinhos para que a filha saia viva daquele massacre do cacetudo (a rezar, ou então à procura dos prazeres perdidos), outra coisa é estar a dar um pimba na gorduchinha e ter uma carrada de agentes secretos do outro lado da porta a ver quando é que o presidente grita os códigos da bomba nuclear ou, no caso da bem-aventurada nesse dia se encontrar de campo alagado, à espera do momento em que o Presidente accione code red.

A estreia do homem mais poderoso do mundo















Não sou voyeur a não ser da bunda da gaja quando a alimento por trás, ou do contorcionismo da sua retina quando esgalho aquele lombinho pela frente, mas há coisa que me vem intrigando há algum tempo: como vai ser a primeira noite de Amor entre Barack e Michelle depois de mudarem os tarecos para a nova casa? Durante a visita de reconhecimento terá havido tempo para fazer um teste às qualidades acústicas e ao conforto dos diferentes compartimentos da mansão? Quando pela primeira vez na Casa Branca fizerem escorregar o moreno, que divisão vão escolher? A sala ovária? ... perdão, oval? Os jardins? A copa, das árvores? Coisa é certa, desde que a pontaria de Obama o não traia, e não vá o mela-cueca acertar em cheio no vestidinho de alguma estagiária que por ali vá passando, bem pode Obama regar o que lhe der na venérea ... perdão... na veneta, que não há meio das pinturas rupestres presidenciais serem descobertas nos séculos mais vindouros. É que se puseram àquilo o nome de Casa Branca, por alguma razão terá sido...

Obamarama


É o que por lá lhe chamam. Uma espécie de febre obamica, que está a transformar esta figura num ícone. Qualquer objecto é obamizável.

Veja-se aqui, na sempre oportuna revista People.

Vai-se o Bush, vem-se o Obama (... perdão, vem o Obama)














Mas será que vem mesmo? A grande questão que está a inquietar quem se interessa por estas matérias é se Barack Obama sobrevive ou não ao dia de tomada de posse. Centenas de milhões de olhos vão estar hoje cravados nos receptores de televisão à espera do momento que tudo pode correr mal. E se tudo correr mal, é uma barraca. Se tudo correr mal, a barraca abana (ena, que puta de piadola fantástica). Se tudo correr mal, vão dizer que as minhas capacidades para prever o futuro estão a um nível bastante superior às da Maya (que o mais que consegue é prever o destino a dar aos engates juvenis que, diz o povo, vai coleccionando). Se tudo correr mal, provavelmente não voltarão a ler-me tão depressa. (Passarão a ler-me mais de-va-gar... Caralho, outra grande piada!) É que se tudo correr mal, entrarei por uma porta lateral de um qualquer aeroporto português escoltado por dois operacionais da CIA a caminho sabe-se lá de onde. E se tudo correr mal, hoje continua a chover. O que é uma merda, porque deixei o guarda-chuva em casa alheia..

Horóscopo Touro







JOSÉ MANUEL SANTIAGO

Para os cabrões nascidos de signo Touro, aqueles animais nascidos entre 21 de Abril a 20 de Maio…

RICKY
E ter um touro em casa é sempre muito bom…

JOSÉ MANUEL SANTIAGO
Touro, tourito!... Começamos também com um período - outra vez; uma porcaria, enfim, sem comentários -, "período de algum pessimismo e fatalismo. Aceite a vida como ela é, e tire dela o máximo proveito. Viva o presente sem receio e com positivismo.”

RICKY
Eu tenho sempre essa dúvida, porque é que o horóscopo nos remete sempre para um período. Mas isso já vamos tratar daqui a pouco, até porque temos os compromissos publicitários da Madame Filipa, e não queremos negligenciar essa mulher que nos dá tanto alimento. Já lá vamos…

19.1.09

Prós mas principalmente Contras

O Prós e Contras, na RTP, até era um programa interessante. Deixou de o ser a partir do momento em que infestaram aquilo com deputados e em que a ERC passou a obrigar o programa a ter lá gente de todas as cores e feitios, a bem da representatividade (seja lá o que for essa merda). O que eu pergunto é se o lugar dos deputados não deve ser no Parlamento, e se não deve ser lá que eles, de segunda a quinta, devem discutir os problemas da Nação... O Prós e Contras mais não é agora do que uma grande chacha como outra qualquer.

Horóscopo Carneiro







MARCO RIBEIRO
Gostaria de lembrar às pessoas - homens, mulheres, pseudo-homens, pseudo-mulheres, travestis, os chamados travecas, drag-queens -, vou lembrar-vos o horóscopo para esta semana. Eu começaria por falar sobre os nativos Carneiro, aqueles que fazem anos… ânus… entre 21 de Março e 21 de Abril.

RICKY
Vamos então a isso

MARCO RIBEIRO
“É um período” - que é uma coisa que, pessoalmente, não gosto (deixa a pila toda vermelha - “é período em que procurará expandir os seus horizontes e dar resposta às grandes questões da existência.” É bonito, mas não sei o que é que esta merda quer dizer!

Bye Bye Bush











Está na hora de mandar este gajo para o caralho!

Vamos ter saudades, mas queremos ainda assim que o Bush vá para a puta que o pariu, e por isso, porque este é o motivo de celebração mais importante deste século, um pouco por todo o mundo estão a ser organizadas as Bush Bye Bye Party, festas que celebram a despedida deste ser improvável.

Não é que não gostemos daquele jeito folgazão, dos trejeitos desta personagem com a profundidade de uma ervilha seca, daquele savoir faire bronco à moda de cowboy texano. Mas vamos mandá-lo up your ass tal como ele faz com tanta gente ao longo destes oito anos.

Ficamos com alguma pena, é certo. Bush, um pouco à imagem e semelhança de Pedro Santana Lopes, é aquele género de político que um dia provoca em nós o choro compulsivo, baba e ranho sem fim à vista, e no outro dia nos deixa extasiados de riso até sufocarmos em tons arroxeados, rindo-nos como se não existisse amanhã, rebolando de solo a solo até descobrirmos que assomámos à porta daquela moça com uma verruga no rosto e que costuma passear o caniche sempre com o mesmo roupão vestido, há 15 anos.

A diferença é que Santana costuma andar por aí (com sacrifício pessoal), e George W. Bush já anunciou que tão cedo não lhe pomos a vista em cima. O que é pena, não faltam sapatos cá em casa aos quais já não dou uso...

Há que festejar, até porque não se sabe o que virá amanhã. A próxima grande celebração está também já marcada, é quando o Sócrates se puser na alheta. Mas isso, pelo andar da carruagem, ainda é capaz de não ser desta.

Quanto às Bush Bye Bye Party, já marquei a festa onde estarei presente. Agora, tenham lá paciência e façam como a mãe do Ronaldo, preparem tudo bem preparadinho, esta segunda-feira é dia de lançar os fogos!

Qu'ésta merda!?

Ou eu já não percebo nada disto, ou a RTP anda a fazer de nós parvos: estava calmamente a assistir ao filme A Verdade Escondida, com o Harrison Ford e a Michelle Pfeiffer e o catano, (estava a revê-lo) e eis que, de repente, um intervalo e levamos com o resumo do dia do Dakar 2009. Já não bastava os intervalos esticadinhos, agora até temos de levar com programas durante o intervalo de outros programas. Só se me oferece dizer uma coisinha: RTP, vão pó caralho!

18.1.09

Assassinos somos nós

escrito a pensar em ti, numa cama de hospital há xx dias


Saltar de uma ponte não é conselho que se dê a uma pessoa. E talvez por isso não o tenha dado ainda a ninguém. Conseguias ver vida através dos olhos da morte. Nela vislumbravas um sentido de libertação que te atraía e que te não era oferecido por quem mais tu desejavas. Retorces-te de dores. O peso da dor empurra-te contra o muro. Sabes que não voltarás a ver a luz do dia, que a morte vingará e que não poderás culpar ninguém pela estupidez que te atraiu a jogares-te de um comboio em movimento. Não culparás quem cá fica, porque os que cá ficam permanecem impunes e a ti a voz te cala. A carruagem da vida traiu-te. O vagão dos sentimentos expeliu-te, não encontraste espaço para ti. Todas as pessoas te procuram agora, lês o bilhete em voz alta nesse teu estado de coma absurdo, uma nota que deixas aos que cá ficam. Será assim possível entender-se a crueldade?


Por vezes, para compreendermos a vida, é preciso compreendermos a morte. Mas quando compreendemos a morte, reparamos que já é tarde demais. Escrevi isto a pensar nas pessoas que decidem abandonar a vida porque esta os abandonou, porque não encontram outra solução. Se é ou não o caminho mais fácil, se é a saída que os frágeis escolhem, não sei, nem estou interessado em discutir. Sempre me intrigou e sempre constituíram para mim um dilema as razões que levam as pessoas a abeirarem-se dos precipícios da vida e a dar o passo fatal. Que raio de desespero incurável é este que leva as pessoas a simplesmente deixarem-se morrer? No íntimo, compreendo que quando há uma estrela no céu que chama alguém, esse alguém não pode ter alternativa. As estrelas guiam-nos, ordenam-nos, cumprimos. Quando não existe saída, costuma ser assim.

Só não compreendo como a nossa surdez, a nossa cegueira, a nossa indiferença contribui para empurrar estas pessoas para o precipício; como não somos capazes de escutar, como não somos capazes de ver, como não reparamos que por vezes os gritos mudos e cegos e surdos estão mesmo ao nosso lado. E como esticamos até ao limite o elástico da nossa crueza e crueldade, e não somos capazes de ver que estamos tão simplesmente a... matar alguém.

17.1.09

Traveca Ludmila: má sorte ter sido puta

Não é só Thais Lacerda que faz maravilhas com a boca e com uma série de outros orifícios. Neste excerto, Marco Ribeiro, José Manuel Santiago e o inefável Ricky, três monstros da comunicação social, grandes timoneiros do programa Por Tudo e Pornada, entrevistam a portentosa Traveca Ludmila. Uma entrevista que, pode dizer-se, ficará para os anais... para os esfíncteres da História...

MARCO RIBEIRO
Relembramos que este programa tem o patrocínio dos gabinetes da Madame Filipa, ela que é uma das colaboradoras habituais deste programa, que acabou de entrar, e que vai dentro em pouco fazer a sua rodagem pelos três elementos desta equipa.

Passava então para o nosso colega José Manuel Santiago, que nos vai dar uns recados publicitários acerca dos gabinetes da Madame Filipa, não é assim, José Manuel?

JOSÉ MANUEL SANTIAGO
É verdade. Temos um grande leque de escolhas, para satisfação sexual e pessoal de todos os homens que estejam interessados. Posso destacar aqui uma, acho que vai corresponder a certas fantasias sexuais: uma mulata peluda, 20 anos, beija na boca…

RICKY
É sempre bom uma peluda.

JOSÉ MANUEL SANTIAGO
Diz que cumpre todas as fantasias. O telemóvel começa por 96… Mas há mais. O cartaz é infindável. Posso destacar também a Mariana, que tem uma boca quentinha e gulosa, faz sexo oral ao natural, e também um show real iluminado. Tem uma mega promoção, e está disponível 24 horas por dia. Mas também - e acho que isto é ideal para ti, Ricky - a travesti Ludmila, insaciável…

RICKY
… vamos tentar tê-la em directo ainda hoje. Aliás, a travesti Ludmila que já nos saciou na semana passada, Marco Ribeiro que o diga, que ficou bastante bem composto, aliás, a cara dele não revela outra coisa.

JOSÉ MANUEL SANTIAGO
Destaco ainda o resto das características do travesti Ludmila: tem um corpo de mulher, bons seios, é bem dotado, e tem um mastro do amor. É ideal para iniciantes. Convívios sem pressa.

RICKY
Temos já aqui em estúdio a própria Ludmila, não sei se ela quererá dar-nos uma palavra. Gostaria que nos dissesse como é que vê esta nova vertente sexual.

JOSÉ MANUEL SANTIAGO
Está um bocado tímida ...

TRAVESTI LUDMILA (VOZ DISTORCIDA / IMAGEM FORA DE FOCO)
Eu gostaria de dizer que eu já fui homem, mas agora sou uma mulher tão boa como as outras.

RICKY
Muito bem, deixe-me dizer-lhe que com essa voz não há quem resista.

MARCO RIBEIRO
Isto é a voz típica de pedófilo...

(pausa musical)


16.1.09

Google: saldanha residence preço estacionamento

Já dizia o Quim Barreiros:

Tiro o carro, ponho o carro,
À hora que eu quiser,
Ai, que garagem apertadinha,
Que doçura de mulher!

Foi mais ou menos isto que no outro dia me sucedeu: fazia eu uma pesquisa no Google para tentar saber os preços do parque de estacionamento no Saldanha Residence... e eis que dei com Thais Lacerda, uma das putas com melhores referências em Lisboa.

Por aqui deixo algumas das pérolas que encontrei neste fórum, onde os chamados confrades dissertam sobre as qualidades de cada uma das meninas que põem à disposição os seus serviços sexuais.

«Ela é muito mas muito sensual. Diz ela que tomou banho comigo mas que não
costuma fazê-lo quando não conhece a pessoa.»

«Depois fomos para a cama sempre na conversa e começamos no bem bom com
muitas carícias e afagos, numa de namoradinhos. Bem o fight em si foi bom tendo
em conta que ela é de facto muito envolvente.»

«Recomendo esta menina de alto nível.»


Depois de um dirigente desportivo que transforma putas reles em escritoras finas, um motor de busca que transforma parques de estacionamento reles em putas finas.

Saldos, saldos, saldos











Caso não tenham ainda reparado, a Libra Esterlina está ao preço da uva mijona. A cara da Rainha Isabel II cada vez vale menos, e qualquer dia não vale nada. Há coisa de um ano, para comprar 1 libra precisávamos de largar cerca de 1 euro e 50 cêntimos. Hoje, quase atingimos a paridade. Um euro já quase chega para comprar 1 libra. E onde quero chegar com isto?

É agora, amigos e amigas, gajos e gajas, é agora a altura de se aventurarem pela primeira vez numas comprazinhas pela internet, ou até numa viagenzinha até Londres, que até é cidade aprazível em qualquer altura do ano, mas principalmente quando a cotação da moeda favorece o forasteiro.

Se não, vejam: o que há um ano custaria no Reino Unido o equivalente a 150 euros, hoje custa apenas 100... O que custaria 15, custa 10.

Ir à capital inglesa nesta altura do ano é como ir aos saldos à Zara (pronto, numa reacção pavloviana, metade da população leitora feminina já começou a libertar suores).

Para quem gosta de livros, música, artigos de electrónica, roupa, cosmética, é aproveitar enquanto dura. E não há que enganar, os museus são à borla.

De manhã, museu... à tarde, compras... à noite, borga! E não há problema em acordar cedo, é que por lá as borgas acabam cedo também, até porque aquilo é gente que se vai abaixo com dois ou três pints.

Eu já tenho viagem marcada.

A informação na televisão portuguesa












O que não se compreende é que, em casa, um reles espectador como eu consiga saber mais do que os manfios que deviam informar-nos do que se estava a passar. Não primo pela inteligência, devo assumi-lo. E se alguém pensa o contrário, é bom que deixe de pensar nisso e pense que está a ser muito bem enganado.

O António Lobo Antunes tem um conto chamado A História do Hidroavião (com ilustrações do cantor Vitorino), o recentemente falecido Michael Crichton escreveu o romance Airframe, sobre segurança aérea, indústria aeronáutica e aviões que se espetam violentamente contra o chão não resistindo ao apelo da gravidade. (Este último chegou a dar algum brado com a TAP, devida à referência que surgia no livro a uma companhia aérea portuguesa).

Qualquer destas ficções vigorosas seria ultrapassada pelo insólito desta realidade. Um avião aterra no rio de uma grande cidade e todos os 150 ocupantes sobrevivem. Molhados que nem pintos, mas vivos que nem alfaces.

Mas dizia eu que não se compreende a forma de trabalhar destes homens e mulheres da televisão. Quase sobre as nove da noite, o jornal da SIC mostrava imagens à distância daquilo que seria um avião de pequeno porte, com 12 pessoas a bordo... mudamos para a RTP1, José Rodrigues dos Santos pisca o olho e diz que é um Airbus A320, leva uma centena de manfios lá dentro... reproduziram-se depressa, pareciam coelhos... foi aproveitar, já que ia cair, vamos lá pôr a mão no pudim... pouco depois as imagens confirmam, um avião está a boiar nas águas do Rio Hudson, parecem os seios da Sónia, mas com os seios à tona e a Sónia debaixo de água... mudamos para a SIC, que agora já reconhece que são mais de 150 ocupantes... a TVI dá um comentário de boca torta do Miguel Sousa Tavares, provavelmente sobre a série Equador ou o caralho, ou sobre a menina de Torres Novas e os pais ao barulho... a TVI acorda para o desastre... a SIC acciona o Luís Costa Ribas, é o gajo que mais percebe de americanices em Portugal, e desde que envolva americanices fala até de questões aeronauticas, da temperatura das águas do Hudson e se naquele dia têm crocodilos, piranhas, ou tubarões... salto entre Bloomberg, excelente informação, completa, concisa, sem momentos mortos (!), com novidade... a CNN mais estática, mas em cima do acontecimento... a Sky News com sotaque... pico algumas rádios de Nova Iorque cravadas no meu receptor wifi... WNYC, WCBS, WABC, WINS... fico pelo Bloomberg e pela CNN, estão no terreno... volto à SIC, o Luís Costa Ribas mostra um desenho de Manhattan... o Rodrigo Guedes de Carvalho insiste que o avião se despenhou nas águas do Hudson... se se tivesse despenhado provavelmente não estaria inteirinho, e se estivessem atentos às informações que outras cadeias apuraram já teriam compreendido que o que aconteceu foi um pouso sobre a água, uma amaragem.

Viva a liberdade de informação, mas nem tanto ao mar...

15.1.09

O Amigo Policarpo

Não posso deixar de referir que considero estas palavras uma verdadeira barbaridade. Não me ocorre outro termo. (Talvez "aberração".) Vão contra tudo aquilo que a Igreja Católica apregoa, e mostram muita da contradição que preside à existência deste agregado religioso.

Não considero que devamos encarar estas declarações de ânimo leve e sem discutir devidamente a gravidade do assunto.


(video da autoria do Bruno Aleixo ou lá o que é, procurem na net)


Quando ontem pela primeira vez escutei as palavras do Amigo Policarpo senti-me num instante regredir cinquenta anos, até um tempo que não testemunhei, que me contaram como seria, e que imaginei nunca viver.

Casar com um muçulmano é o cabo dos trabalhos, é um monte de sarilhos, diz o Amigo Policarpo. E vai aconselhando as meninas casadoiras, porque elas não têm vontade própria e não sabem, nem podem, decidir por si. Esta é a mentalidade, este é o espírito das palavras do Amigo Policarpo, alguém de quem um dia se disse poder sentar-se no trono de Pedro. Senti-me num instante regredir cinco décadas no meu Portugalzinho, retornar ao tempo em que por cá se vivia a preto e branco do Minho a Timor, sendo que o branco brilhava e humilhava e o resto trabalhava, senti-me descer ao inferno do tempo da discriminação racial nos Estados Unidos (brancos casam com brancos, negros com negros), ao Apartheid na África do Sul, à Alemanha do Nacional Socialismo, senti-me entrar pelo túnel da Idade Média e ali me esgueirar para não ser trucidado por um ninho de infiéis a galope em cavalos brancos. Senti-me lixado com f...

Este não é o Portugal livre pelo qual luto todos os dias. Isto não é o futuro que eu desejo para os filhos que resultem das trancadas maravilhosas que hei-de partilhar com a mulher igualmente maravilhosa que comigo alcançará tal ensejo.

São graves as declarações do Amigo Policarpo. Tanto que o momento não é oportuno para ferir sensibilidades que nesta altura estão postas em xeque quase mate. Estará o Amigo Policarpo a tentar contribuir para a descida da taxa de divórcios em Portugal, cortando o mal na raiz e evitando a realização do casamento? Mas para tal, deveria aconselhar precaução nos matrimónios com todo o tipo de homens, e sabe-se que mulheres espancadas e com problemas no lar existem em todas as expressões religiosas.
Não posso concordar com as palavras do Amigo Policarpo, e assustam-me, porque se o Amigo profere estes pensamentos em público, provavelmente aquilo que fica por dizer será passível de causar estranheza e choque maiores.

Tinha o Amigo Policarpo em muito boa conta, como um humanista sensato, que fazia da ponderação a sua maior arma, e capaz de congregar à volta de uma ideia até mesmo aqueles que não são Católicos. Mas estas declarações desfizeram a ilusão, e mais do que isso entristeceram-me. Porque são pedradas num charco já de si infestado pelos répteis do desânimo, não há meio de atingirmos uma margem de salvação, e são estes pensamentos e estas pessoas (que afinal não desapareceram e estão mais presentes do que possamos julgar) que me fazem desacreditar nas possibilidades deste país crescer, deste país se emancipar e se tornar numa coisa séria.

Já se sabe que por cá a culpa morre solteira. O assunto vai esfumar-se, amanhã está esquecido, e tudo prossegue como se nada tivesse acontecido.

Mas façamos o esforço de imaginar o cenário seguinte. A autoridade máxima do Islão em Portugal diz, numa conferência: "cuidado meninas muçulmanas, pensem muito bem antes de se enrolarem matrimonialmente com um desses católicos safados, machistas e polígamos que por aí andam. Eles só querem é truca-truca, acham-vos uma espécie exótica e estão convencidos de que quando chegam a casa é kebab e falafel todo o santo dia. São um monte de sarilhos."

O que aconteceria no dia seguinte?

É trigo limpo!

Nada tem a ver com a passagem de Maradona por território português (el pibe passou por cá ontem para assistir ao Benfica-Olhanense), mas ao mesmo tempo, a Polícia Judiciária anunciava que a quantidade de droga apreendida na Madeira em 2008 duplicou relativamente ao ano anterior. O coordenador da PJ na região chama-se Carlos Farinha. E não é por acaso, é que em matérias de pó este Inspector não faz da dita.

14.1.09

O som que o Amor tem










Uma das discussões hoje durante o almoço tentava entender se afinal Amor combina com música, ou se uns acordes de José Mário Branco no momento em que o marsápio desenha a sua arte podem deitar abaixo qualquer relação séria. Uma das opiniões era que música durante o acto sexual funcionaria como uma espécie de terceiro elemento. Uma fonte de perturbação. Uma espécie de o outro, que não sai de dentro do guarda-fato, mas do interior de uma caixa de música regurgitando frases incontroláveis como:

Casa comigo Marta
Tenho roupa a passajar
Tenho talheres de prata
Que estão todos por lavar
Tenho um faisão no forno e não sei cozinhar
Camisas, camisolas, lenços, fatos por passar
- Casa comigo Marta
Tenho roupa a passajar
- Casar contigo, não maganão
Não te metas comigo deixa-me da mão

Como uma escolha musical duvidosa pode deixar KO o besugo mais firme e hirto, e fazer esbanjar uma relação que prometia fazer a vida sorrir.

A mim tanto se me dá. Gosto da harmonia do Amor, das escalas cromáticas que ele proporciona quando executado por dois instrumentistas afinados e dispostos a seguir a mesma partitura, mas vendo bem as coisas, dadas as limitações evidentes da minha performance sexual e amorosa, uma simples peça musical de algum artista escolhido a dedo poderá ajudar a mulher a desinibir-se e a pensar que está com o tipo que canta, e não com o camafeu que lhe saltou para cima. E acreditem que um simples dedo pode resolver muita coisa. E acreditem também que há muitas gajas que ficam com uma tesão do caralho só de imaginar as maravilhas que o bigode do José Mário Branco pode fazer. Foda-se, e eu que não tenho bigode.

Mas entre um registo de canto gregoriano trauteado pelo saudoso João Paulo II ou os sons naturais que emanam da torrente de Amor, prefiro os segundos. Digam lá meninas, se há algo que saiba melhor do que escutar ou cantar, em surdina:

"Gosto da melodia das tuas pálbebras nos meus ouvidos enquanto o teu Amor nos envolve."

Aviso à navegação, afastem-se que eles (se) vêm

Para os amigos e amigas que aqui vêm, ou simplesmente para os gajos e gajas que aqui caem através de uma qualquer pesquisa estranha no google ou companhia limitada, devem estranhar há algum tempo não vos presentear com um excerto dessa obra quase prima que é o guião do episódio-piloto de Por Tudo e Pornada.

É verdade que temos andado a conter-nos qual garanhão em vagina alheia. Sabemos que por cá têm andado em leituras asseadas meninas de muito boas famílias e não queremos destroçar ilusões nem desfazer a ideia de que o mundo é um local onde todo o sexo cheira bem. Não é assim, há toda uma paleta de cores e cheiros que a escarafunchice esconde e que importa descobrir.

Muito do poder seminal que daquele texto tem ficado assim por espalhar. Mas não há que ficar chateado. Eles vão voltar. Com teorias desprezíveis, feministas, machistas, rabetas e não só.

Avisa-se as mentes mais sensíveis, para nos próximos dias simplesmente não porem cá os cotos, ou caso venham acompanhadas de crianças menores de idade, as afastarem da frente da pantalha, ou simplesmente lhes cobrirem olhos (todos eles), não vá alguma expressão embaixadora mais atrevida causar-lhes mossa nos cérebros atrofiados e infestados dessa pureza barata e hipócrita que pulula em muitos blogueiros.

Nos próximos dias voltam as cotoveladas gramaticais à Bruno Alves, as entradas a pés juntos de pitões à frente qual Bynia, volta a beleza do português filha da puta em toda a pujança que lhe é devida.

13.1.09

Reflexões

Há momentos em que tudo é tão relativo: as nossas alegrias, os nossos momentos de euforia, as nossas agruras, a nossa acidez, ironia, fúria, ira, estupidez, parvoíce, incúria, desleixo, ódio, negação, rejeição, tudo vale menos que nada. Há momentos em que tudo isso é atirado às malvas e não conta um chavo. Se é que alguma vez contou. Damos demasiada importância a merdices, quando os aspectos fundamentais são relegados para plano secundário. A vida é tão efémera, que não merece que lhe apertemos os gasganetes. Hoje, a notícia do desaparecimento de duas pessoas próximas de gente que conheço, porque a grande surpresa chega a qualquer momento. Não deixemos que a vida nos prege rasteiras, não achemos que temos de viver a vida como se não tivessemos de a respeitar. Respeitemos a vida, não a morte.

12.1.09

Ice Age

Limalhas de frio acomodadas sobre os carros como lágrimas de vidros embaciados de silêncios e de esperanças desfeitas em papéis de embrulho que revelam fumos de amor escapando de tubos solitários envolvidos em rumores negros de pombos congelados nos beirais que suportam também andorinhas que também congeladas observam os pombos que em silêncio me observam observando-os sob um luar aluado de amores que se escondem na neblina e se envolvem na certeza de que amanhã tudo será diferente para melhor. Porque no fundo andamos todos à espera do degelo.


Pés de barro que sustentam mitos (ou a minha iconoclastia revelada)

Estava por aqui a deitar um olho (salvo seja) à cerimónia de entrega dos Globos de Ouro (os verdadeiros, não a imitação barata que a Sic nos proporciona todos os anos), e a pensar que para alguém se tornar um mito em Hollywood só precisa de fazer dois ou três filmes com relativo sucesso, ser jovem, bonito, e conquistar uma morte trágica e inesperada, de preferência à custa de uma overdose de medicamentos ou cocaína num quarto de hotel.

Refiro-me ao Heath Ledger, que de um momento para o outro passou a ser uma lenda da história do cinema, sem se perceber nem como, nem porquê.

Parece que no campo da música, a Amy Winehouse anda a treinar para isso.

A imagem foi retirada deste blogue, que afirma que Heath Ledger não está morto.

10.1.09

A pila e o problema do frio

É apropriado dizer que está um frio do caralho, caralho! Venho agora da rua e sinto que a minha meita congelou dentro dos tomates. Os meus colhões são duas pedras de gelo (sem uísque), o tronco é um termómetro de mercúrio, cresce com o calor, mingua com o frio. É fodido, um gajo sentir-se neste estado apático de boneco de neve, sempre à mercê de narizes acenourados, e preso a um estaticismo disforme que a partir dali já só pode derreter o que quer que exista. E agora, para somar ao frio, veio a chuva.

Os meteorologistas, esses visionários da vontade dos céus, afiançavam que a noite traria neve às franjas da capital: se chovesse, era garantido. Já passa das três da manhã, lá fora está a chuviscar, mas a verdade é que os flocos de neve devem ter-se transformado em bocadinhos de chocapic e voaram para outro prato que não o nosso.

Detive-me com a cabecinha do lado de fora da janela, à mercê do frio e de alguma moçoila mais atrevida em período fértil, observando com atenção a chuva tímida que caia, procurando perceber ali uma vaga semelhança com um ou outro floco de neve: nada, neribite, nestum!

E nunca para mim fez tanto sentido uma canção de José Cid.



(Actualização: não sei se alguém observou com atenção estas imagens de um especial de Natal da RTP, mas na segunda parte do vídeo é possível ver um gato ser enrabado por José Cid. Reparem bem no ar constrangido do bichano.)


Senti-me a pregar para o ridículo, tal como o pobre do Zé Cid e os seus êxitos milenares. A última vez que me senti neste estado de comiseração palhaçal foi no Verão de 1993, na madrugada de 12 para 13 de Agosto, quando o astrónomo Máximo Ferreira, essa figura sinistra da arte de bem ver estrelas cadentes em toda a sela, aconselhou Portugal inteiro espetar o nariz na direcção do céu e olhar para a Constelação de Perseu, ali algures no firmamento, onde naquela noite choveriam milhares e milhares de perseidas. Tal como hoje, não choveu nada, lá por casa Máximo Ferreira terá rebolado a rir com a figura triste que o país fez à conta dele, e ficámos todos com os narizes para o ar, a fazer figuras de parvo, figura de bonecos de neve, de nariz acenourado. Fodam-se!

8.1.09

A pila e o problema do missionário

Ele há posições para todos os gostos e todas as formas, mas habitualmente os neófitos do sexo iniciam-se pela posição clássica de Missionário. É uma espécie de ritual de iniciação, como quem pela primeira vez pica o ponto numa nova experiência profissional. Ou como quem vive a experiência de andar pela primeira vez de bicicleta: desenhando inicialmente pequenos trajectos no quintal da avó com auxílio de duas rodinhas de apoio; pedalando depois já apenas com a sustentação de uma rodinha, até conquistar o equilíbrio e confiança necessários para dispensar artifícios e dar ao pedal de uma forma autónoma e conquistadora de quilómetros.

Também no sexo é assim que as coisas funcionam. Tudo se baseia na relação de confiança que se constrói entre duas pessoas, na capacidade de construir a intimidade, alimentada pelo espaço que cada um dedica ao companheiro e pelo conhecimento do próprio corpo e da pessoa a quem se dedica Amor.

A posição Missionário é uma porta aberta ao conhecimento. A mulher estende-se de dorso disponível a abre as portas do ministério para a conquista atrevida do naco masculino. Os dois corpos fundem-se, a mulher aprisiona o homem, e os dois fulcros do prazer comunicam secretamente. É uma flutuação dos sentidos, dois transformam-se em um, e o amor simplesmente acontece.

Ganha o nome de Missionário porque os padres aconselhavam as populações consideradas menos evoluídas, nomeadamente os indígenas submetidos à evangelização, a praticarem esta posição, porque facilitava o objectivo primário de mandar uma trancada: a procriação.

O homem indígena acoitava-se naquele lombo indígena de fêmea desnudada e de peito ressequido, e lembrava-se das palavras do missionário. A determinada altura fazia como o tetra pak na hora em que é aberto, e passados nove mesinhos estava cá fora um rebento com ar de presbítero colonizador, mas ainda assim indubitavalmente filho do seu próprio pai.

Esta posição sexual, bastante favorável à actividade do colhão, tem evoluído bastante. E para tal muito tem contribuído o avanço da ciência na área dos colchões ortopédicos. E para tal, os portugueses só têm de agradecer aos suecos do IKEA, grandes especialistas na fabricação de colchões e grandes responsáveis pela acentuada melhoria da nossa vida sexual.

7.1.09

A pila e o problema do tetra pak

Vejamos até onde se podem estender os tentáculos da estupidez humana: dizem os entendidos que o tetra pak é provavelmente das invenções mais estonteantes que surgiram à face da terra nos últimos anos. Não querendo conflituar com essas opiniões, que acredito verdadeiramente fundamentadas e até mais lucrativas do que a minha, o que me parece crer, visão sincera e perfeitemente empírica, é que o tetra pak é uma invenção do caralho. O artista que se pôs a pensar que salvaria o mundo se inventasse aquela bodega de plástico hermética, que depois de usada se espalma e se manda para reciclar, deve agora estar numa ilha do Pacífico a viver a fortuna que vai amealhando, longe de imaginar as dores de cabeça que já provocou a milhares e milhares de incautos consumidores, como eu. Sou um dos muitos humilhados por esta invenção do Demo.

O Tetra Pak só poderia mesmo ser uma invenção sueca. Uma espécie de IKEA das embalagens de cartolina, na aparência é tudo muito bonito, fácil, barato, mas depois na prática aquela merda dá um trabalho do caraças e nunca ficamos contentes. E o grande problema do Tetra Pak nem está na foda que é espalmar a embalagem sem que aquilo cuspa os restos do líquido que resguardou, mas é a grande aventura de fazer a abertura sem que haja merda.

Não tenho propriamente a capacidade para atrair sexualmente objectos sem vida e profundamente desinteressantes desse ponto de vista, mas o facto é que de cada vez que abro uma embalagem tetra pak ela vem-se nas minhas mãos. Seja leite, sumo, batido de baunilha, aquela merda verte duas ou três gotas inocentes de prazer incontido, e depois esguicha como se não houvesse amanhã, como se tivesse acabado de mandar a queca do século. Depois da primeira esguichadela, não há como controlar, o caldo está entornado e a roupa manchada. Não há copo onde se acerte, não vale a pena deitar a mão ao licor, aquilo é incontrolável.

Não há direito, nunca me senti tão explorado sexualmente como desta forma, nunca me senti tão aviltado, nunca me senti um objecto de tão intenso prazer nas mãos de um objecto tão frio e distante como uma embalagem de tetra pak.

E o que dizem os entendidos? (e quem sou eu para contradizer um entendido!) Uma invenção do caralho. Uma treta de invenção, é o que é!


p.s. e agora perdoem-me, mas tenho de ir ali limpar uma nódoa que me saltou para a t-shirt do Action-Man acabadinha de estrear.


5.1.09

Devaneios em inglês técnico

A angústia da folha em branco conduz por vezes a estes devaneios. Precisava de escrever qualquer coisa, não sabia o quê, e a inspiração, ou a falta dela, não conduzia a lado nenhum. E então lembrei-me que hoje Sócrates daria uma entrevista na televisão. Como sou fã, não me dei ao luxo de perder!



(este post é uma paródia ao regabofe governativo, na realidade nada disto acontece e tudo é pura coincidência)

4.1.09

As estradas são agora mais seguras do que hospitais

Ena, fantástico! Operações de Natal e Ano Novo da Unidade Nacional de Trânsito da GNR (antiga Brigada de Trânsito) registaram diminuição no número de mortos, feridos e acidentes nas estradas portuguesas. Grande avaria! Basta olhar para o lado e ver o que os bolsos dos portugueses sofreram ao longo do último ano, e compreende-se que muitos se dedicaram à contenção e Portugal ganhou cada vez mais condutores domingueiros. O tráfego rodoviário nas Pontes Vasco da Gama e 25 de Abril, em Lisboa, diminuiu e o governo começa a deitar agora as mãos à cabeça e a tentar encontrar justificações para não guardar na gaveta o projecto de uma terceira travessia sobre o Tejo. Jorge Coelho e Mário Lino suspiram... E outra razão que tirou muita gente da estrada e da qual ninguém se recorda. É que durante Natal e Ano Novo passou por Portugal um surto de gripe e a grande maioria dos condutores estiveram ao longo desses dias nas urgências dos hospitais à espera de serem atendidos. Passou-se o Natal, passou-se o Ano Novo e eles por lá continuaram, lá para o Verão devem ser atendidos. As estradas ficaram mais desimpedidas. Hoje, regressam os portugueses que em debandada rumaram ao Algarve e a outros cantos do país. São mais que muitos. Se é o seu caso e por aqui caiu pela primeira vez, seja bem-vindo. Tome lá um bacalhau se for gajo, e vire para cá o bacalhau se for gaja...

3.1.09

Não se cura com piripiri uma assadura que pede apenas pó de talco

E pronto, caralho, foda-se, Israel invadiu a Faixa de Gaza. Pegou nos tarecos, deitou contas à vida e entrou com aquilo tudo por ali adentro. Como se a vizinha do lado pegasse nos tachos e decidisse invadir a cozinha alheia. Não há direito. E não há cu que aguente, foda-se, nem paciência que resista. Não há argumento que valha, nem ódio que justifique. O mundo anda já farto destes avanços e recuos em perseguição de uma paz que acaba por nunca chegar. Uma palhaçada!

«Gostaria de deixar opinião sobre a visão que nos é trazida pelos jornalistas portugueses que estão no terreno. É má, na minha opinião. Não disse que era uma merda. Má está abaixo de merda. Como pode garantir-se uma cobertura inteiramente justa, equidistante, quando os jornalistas, testemunhas do acontecimento, têm acesso apenas a uma parte dos factos, quando estão impedidos de entrar na Faixa de Gaza, e se concentram quase todos nas mesmas cidades, junto à fronteira, devidamente escoltados pelas forças israelitas?»

Os raides aéreos israelitas começaram há uma semana. Em sete dias, centenas de ataques de helicópteros, caças e aparelhos não tripulados. Em sete dias, do lado palestiniano, mais de quatrocentos mortos, dois mil e quinhentos feridos. Do lado palestiniano, o Hamas disparou cinco centenas de rockets em direcção ao sul de Israel. Quatro israelitas foram mortos. São estes os motivos para a ira dos servos de David? O que faz mover Ehud Olmert, Ehud Barak, Tzipi Livni e todos esses caralhos? É o vulto mumificado de Ariel Sharon, vergado a uma cama de hospital, que já nem sabe de que terra é, mas cujos métodos parecem ainda servir como motriz inspiradora para (mais) uma invasão? Serão as divisões internas, que minam a configuração política de Israel, e a perspectiva de eleições à porta já no mês de Fevereiro? Não quero saber, não me interessa, podia ser o rabinho assado que a mim me dava o mesmo. Não há fins que justifiquem estes meios. Não se pode curar com piripiri uma assadura que pede apenas pó de talco. Nada mais tenho a expressar do que uma profundíssima indignação!

Uma última palavra para a cobertura jornalística do conflito. A visão que nos é trazida pelos jornalistas portugueses que estão no terreno. É , na minha opinião. Não disse que é uma merda. Má está abaixo de merda, por isso quando digo má quero dizer mesmo uma merda das grandes... Como pode fazer-se uma cobertura inteiramente justa, equidistante, quando os jornalistas, testemunhas do acontecimento, têm acesso apenas a uma parte dos factos, quando estão impedidos de entrar na Faixa de Gaza, e se concentram quase todos nas mesmas cidades, junto à fronteira, devidamente escoltados pelas forças israelitas? É a isto que chamam jornalismo? Uma derradeira e especial menção ao acompanhamento feito para a RTP pela jornalista Márcia Rodrigues. Pior só mesmo se para lá fosse enviado o Zé das Couves ou uma das personagens do TV Rural. As reportagens podem chegar-nos embrulhadas numa caixinha de Ferrero Rocher, mas há depois ali qualquer coisa que não me inspira confiança
, qualquer coisa que não me cheira bem, como se aquilo fosse fajuto ou uma falsificação chinesa. Pffff! Mas pior ainda é a RTP tentar convencer o espectador de que a jornalista se encontra na Faixa de Gaza, quando na verdade está em Israel, junto à fronteira.

Acusam-me de só dizer asneiras e o caralho, e de ser um gajo com hábitos de mestre de obras. Foda-se, vão-se foder, esta merda da invasão sim, é saberem foderem um gajo bem fodidinho, sem direito a lubrificante nem nada. Isto sim é pornografia da dura! E não me lixem...

1.1.09

Sinto que sou sempre o último a saber (sobre Equador)

Por norma sou um gajo que até procura interessar-se sobre os factos que fazem mudar e avançar o mundo. Aquelas merdas às quais por vezes ninguém liga, mas que são afinal decisivas para compreender as agruras do presente e enfrentar os dilemas do futuro. Enfim, não gosto de viver à margem, na ignorância sobre o que nos rodeia. Mas sinto que cada vez mais há factos que me passam ao lado, ou ao lado dos quais eu passo sem sequer me aperceber da sua existência. Figuras, personagens, acontecimentos, tricas, para as quais olho de sobrolho franzido, do mesmo modo que um boi se confronta diante de um palácio. É uma merda. É como ter alzheimer sem ainda sequer termos ultrapassado os trinta e cinco. Como ter alzheimer e permanecer com a tesão intacta. Foda-se...

Desde há uns anos, o romance Equador, de Miguel Sousa Tavares, e a série televisiva a que deu origem são do que mais se fala. Fazem as bocas do mundo, toda a gente domina o assunto e opina, ora a favor da obra que dizem prima, ora contra a polémica figura de MST. Tenho de reconhecer que não faço ideia do que se passa dentro daquelas páginas, ou do que desvendam aquelas cenas com personagens em trajes coloniais, diálogos em inglês e imagens recolhidas em diversos continentes.

Sinto-me aquela puta a quem já não importa se está a levar no cu ou a comer na pássara, e que se faz pagar pelos menos honorários em qualquer circunstância. Que nada sente e que lhe é já indiferente o buraco por onde lhe entra o dinheiro. Sinto que estou longe de tudo, destas minudências que fazem a vida pós-moderna, destes equadores e destas conversas à esquina da mesa do café. É uma porra, porque assim ninguém nos leva a sério.

Ainda não foi desta que tive uma passagem de ano à minha medida

Ainda não foi desta que passei o ano com ele entalado. Quem bem me conhece, sabe que não sou de embarcar em esquisitices, bacanais ou festas com data marcada. mas a passagem de ano tem aquele je ne sais quoi que desperta em mim a vontade de entrar num novo ano a fazer e distribuir o amor. Sinto-o como um dos grandes imperativos de uma vida, como uma grande peregrinação do amor à procura do novo ano, como o é para um muçulmano a romagem a Meca e Medina para cumprir o grande Hadj.

Das poucas coisas que experimentei e que podem ter semelhanças com esta simbiose entre acto de amor e passagem de ano, nenhuma se comparará com ir às putas. Naquela fase em que elas já só pensam no utente que vem a seguir e encetam uma contagem decrescente capaz de nos deixar de calças na mão... 10... 9... 8... 7... 6... 5... 4... 3... 2... 1...

Que 2009 seja um ano com muito amor para todos vós.