
Tenho a dizer com toda a seriedade que não temos por cá os taxistas mais filhos da puta de todo o mundo e sequer de toda a Europa (contando que a
Turquia possa ser considerada parte do continente Europeu).
Esses estão noutros países cujos nomes me dispenso a referir, mas que por casualidade pertencem todos ao eixo mediterrânico e que vão desde os inefáveis
espanhóis - que fingem não perceber um caralho do que a gente diz, mas que sabem reconhecer as notas de Euro como ninguém -, passando pelos
italianos - que naquele jeito de quem não quer a coisa mas quer, nos dão a volta cá com uma pinta filha da puta -, passando pelos
gregos - que é
efgaristó para aqui,
paracaló para acolá, e quando damos pela coisa, em vez de estarmos na Praça Omónia reparamos que ainda não saímos do mesmo sítio mas já demos trezentas voltas ao quarteirão.
Os
turcos são piores. São aquilo que se pode chamar carne boazinha para ser empalada com ferro em brasa quente. Os
portugueses, conforme referi, nem são tão maus assim, o problema é que há por aí uns turcos que acham que isto os Jerónimos é a Mesquita Azul e que o Aníbal Cavaco Silva é o
Recep Tayyip Erdoğan (ah, nomezinho do caralho!).
Ando bastas vezes de táxi por Lisboa, poderei pronunciar-me com algum conhecimento de causa sobre essa malta, e espero não estar a ofender ninguém, eu que até aprecio o povo turco e não o quero melindrar com estas comparações que envolvem taxitas portugueses.
Agora vou dizer bem dos cabrões dos taxistas tugasNão posso cair no erro de tecer generalizações abusivas. Os taxistas de Lisboa são em geral boas pessoas, habitualmente pouco tentadas a enganar o cliente (mas se puderem não há volta a dar, é mais forte do que eles, está-lhes na massa do sangue), e quando necessário até ajudam a pessoa que transportam.
Eles compreendem que o cliente é o melhor amigo deles, é o sustento deles, é quem lhes leva o pão à mesa. É, no fundo, quem lhe mantém a mulher em casa, e quem lhes garante a vida sexual.
Existe um
código de conduta do bom cliente. O bom cliente é aquele que escuta com atenção o homem do traje de luzes (mínimos, médios, mas habitualmente máximos), o que quer dizer que o cliente poderá permanecer calado ao longo de todo o percurso, só terá de evitar contradizer o homem do táxi. E se tiver de o fazer, que seja sempre na perspectiva da existência de um ponto de fuga bem marcado:
"não é bem assim, eles até são boas pessoas, e o Obama lá por ser de cor não se vai vingar agora dos brancos; mas lá que há por aí alguns que era metê-los a caminho dessa ilha e fazer um buraco à proa do navio, lá isso é capaz de ter razão."Já tive taxistas que me esclareceram sobre dúvidas existênciais ou momentâneas. Já aprendi algumas coisas com alguns. Já cheguei a tempo a alguns locais, fruto da audácia, do arrojo, do arreganho automobilístico de alguns homens do volante. E até já fiquei a dever uma corrida a um taxista, por me ter esquecido de um documento (assunto tratado logo no dia seguinte, com toda a lisura e toda a elevação de carácter da parte desse excelente profissional).
Ter na agenda o número de telefone de um ou dois taxitas é a garantia de estarmos a salvo em algum momento de aperto. Eles formam uma rede cujos tentáculos se estendem a toda a cidade, encontram-se sempre em movimento, conhecem sítios, pessoas, recantos, histórias, são fantásticos. São das fontes mais bem informadas. E se não estiverem informados, trabalharão para tal.
Agora, desculpem lá, caralho, mas vou dizer mal desses filhos de um granda odreMas como em qualquer grupo de bons profissionais, há uns que são a escumalha da classe. Acontece assim com os políticos, professores, putas (sem qualquer tipo de analogia entre as três actividades, tirando o facto de todas as palavras arrancarem com um "pê").
Se há coisa que me irrita, é que um taxista se irrite. Porque quando pago um serviço de táxi, não pago para ver um espectáculo de circo. Já tive taxistas que soltaram frases e impropérios capazes de chocar até a minha imaculada indecência. Alguns registaram-se na minha memória como
lapas com molho afonso:
(para alguém que atravessava a rua à frente do táxi)
"sai da frente, ó ... devia-se era abrir um buraco na estrada e tu ficares enterrado lá dentro, ó ..."o mesmo profissional, sobre alguém que apreciava a ostentação:
"ela não ficava contente por dizer que tinha um Cherokee, tinha de dizer que era um 'Grand' Cherokee"ou esta pérola:
"o meu filho pôs ao meu neto o nome de Yuran, em homenagem a esse grande jogador que passou pelo Benfica."Já tive taxistas que sairam do taxi com um pedaço de ferro nas mãos para dar uma malha a um transeunte que passou rente ao taxi e levantou vento. Já para não falar nos habituais revisionistas e saudosistas de um Salazar em cada canto, que isto se fossem eles a mandar era uma Coreia do Norte, mas ao contrário, seja lá o que isso for. Até já tive taxistas que inventavam histórias para entreter o cliente, papel no qual embarquei e até contribuí com algumas das minhas criações do momento, para entreter o taxista.
Os taxistas do aeroporto, uma classe mais perigosa do que a dos autarcas e dos banqueiros juntosAqui, a regra são os taxistas mal formados e dispostos a levar de assalto a carteira do cliente, e a excepção são os profissionais com intenções honestas e que por ali fazem mais um serviço igual a tantos outros.
É fácil compreender por que motivo o aeroporto é um local tão apetecível.
É como uma reserva de caça. As presas caem que nem tordos, e embora os caçadores sejam muitos, têm, em geral, óptima pontaria.
No Aeroporto, existem
três tipos de situações, uma das quais o taxista quer a todo o custo evitar.
- O cliente é um cámone, não percebe um caralho do sítio onde acabou de aterrar e é levado que nem um patinho. O cliente tem hotel em Cascais ou então quer ir até ao Algarve. Para os cabrões dos taxistas esta música entra melhor do que o último êxito de Mónica Sintra. Mesmo que não muito inflaccionado, um serviço para Cascais, Sintra, ou até para o Algarve é melhor do que uma punheta a dez dedos.
- É um mal menor. O cámone chega, não percebe onde acabou de aterrar e pensa que vão ser umas férias de sonho. O que ele não imagina é que ainda agora está a sair do aeroporto e já lhe estão a deitar a mão ao bolso. Já lhe estão a gamar o que não devem. O cliente só quer ir para o Hotel Ritz, ou para o Tivoli, ou para outro qualquer unidade hoteleira em Lisboa. A distânicia é curta, mesmo que se dê umas voltinhas grátis ali nas imediações do aeroporto, mas é um mal menor. A distância é curta, mas o taxista habilidoso encontra forma de inflaccionar a conta, seja pela taxa de bagagem, taxa de nádega demasiado branca no assento, taxa de língua estrangeira, sabe-se lá o que mais...
- É o cabo dos trabalhos. Eles fogem desta situação mais do que o Cristiano Ronaldo foge das paredes dos tuneis. É apanharem um cliente português que não esteja para ser enganado. Mal eles notam que apesar de alto, louro, e com uma mochila de ir ao pêssego, o gajo que vão transportar fala e percebe português, põem logo cara de quem lhe corre mal a vida. Estar no aeroporto durante sabe-se lá quanto tempo, e depois cair em sorte um português habitualmente teso que nem um carapau e sem vontade de ser enganado, é o que se costuma dizer fodido. Mas, como em tudo, um dia fodes tu, outro dia fodo eu. E mais fodido se torna, quando o taxista ouve da boca do cliente: "leve-me ali à Expo", ou "olhe era ali para a Rotunda do Relógio, tenho o carro ali estacionado, mas com a mala não me dá jeito ir a pé." Experimentem fazer isto. Ou melhor, não experimentem, se não querem arriscar despertar a fúria de um destes profissionais portadores de stress-pós-traumático do volante.
Histórias com taxistas tenho muitas, e nos mais variados recantos do globo. Acostumei-me em alguns países a negociar a viagem para não ter chatices com estes figurões do volante. Em alguns países negociar antecipadamente não chega. E há alguns países em que a solução deve simplesmente ser evitar andar de táxi. Talvez escreva mais uns posts com essas histórias, algumas merecem ficar registadas e ser lidas pelas duas ou três pessoas que por cá passam.
Os taxistas são seres criados pelo demónio
O que me levou a escrever sobre esta classe foi o facto de ontem ter encontrado um desses taxistas pouco honestos. Chamei um táxi para determinado local, e ali fiquei a aguardar que ele chegasse. O tempo foi passando, e como o táxi nunca mais vinha, liguei novamente a dizer: "mais rapidamente aqui chegaria o rapaz da telepizza com uma alta e fofa, dois ingredientes e extra-queijo", e o vosso táxi nem vê-lo. Do outro lado, aguardei a resposta. "Nós já enviámos, aguarde mais um pouco, está trânsito e tal".
Assim foi, o tempo passou, eu continuava à espera, e tive de voltar a ligar. Resposta da senhora do outro lado: "Ah, houve um equívoco, ele já esteve por aí, mas apanhou o cliente errado, mas entretanto ele já está outra vez a caminho"... Está bem abelha, e continuei à espera, já quase a desesperar.
O taxista chegou, já quase 30 minutos depois da primeira chamada, explicou-me que tinha apanhado o cliente errado e só na chegada ao destino é que se apercebera que não era eu. Uma daquelas histórias mal contadas. A verdade é que por apenas uma chamada fez dois serviços, sabendo que o segundo, eu, estava garantido, ali à espera, enquanto o homem aproveitava para fazer as duas corridas.
Para concluir a bela jornada, em direcção ao destino que lhe pedi para fazer, escolheu um trajecto mais longo do que deveria ter sido, mas como estava mais preocupado com outras coisas e não me apetecia entrar em diálogo não espingardei.
Eles queixam-se da falta de segurança, mas creio que os mecanismos de segurança a instalar primeiro deveriam ser os que protegem o cliente dos roubos de que são vítimas por parte de alguns taxistas. Digo isto porque este era daqueles táxis com uma divisória que separa cliente do resto do mundo. Já não bastava viajarmos dentro de um aquário, ainda somos espoliados dentro desse aquário. Lembrei-me:
"esta protecção não te deveria servir de nada, malandro. Devias transportar o Zé Castelo Branco e ele desejar ir à frente ao teu lado, ias ver o que é bom para a tosse".
Fica a referência desta viatura e deste condutor a evitar,
era o manfio 570 da Radiotáxis. Ora toma lá, que é fresquinho.
(Leitura aconselhada: a magistral visão de Miguel Esteves Cardoso, em "Os Meus Problemas", sobre os táxis)