1.2.09

Ié, ié, faz bebé

Estou seriamente preocupado. Ontem à noite fui assediado por uma gaja. O facto nada tem de extraordinário, não fosse o facto de esta miúda estar bêbeda que nem um cacho.

Acercou-se de mim e deu-me um daqueles encontrões que deveria parecer casual, depois pediu-me desculpa e iniciou uma conversa desprovida de qualquer sentido. Uma rapariga jovem, bonita e bastante produzida. Excessivamente produzida, ao ponto de se aproximar na aparência a uma pintura impressionista. No meio da conversa de circunstância, a chavalita não vai de modas:

- Tu és muito interessante, desculpa-me lá ter ido contra ti... A tua namorada está por aí?...

... enquanto a mão ia procurando alguma intimidade (salvo seja).

A miúda tresandava a uísque (ou então sou eu que ando com o olfacto avariado), destilava uma auto-confiança excessiva que lhe ficava mal e desajustada, e mostrava com aquela atitude que não primava pela capacidade para pensar no óbvio.

A noite prosseguiu, guardei aquele episódio, enquanto ela talvez andasse a lançar o isco em aquacultura alheia.

Dirigia-me para o carro, já a noite ia longa e o dia seguinte era de trabalho, quando sinto um vulto aproximar-se pela esquerda baixa, e um bafo tomar conta do horizonte. Era a pita aos saltos:

- Olá, jeitoso. Sabes uma coisa, foste um querido, queria dar-te um beijo.

- Um beijo?

- Sim, queria compensar-te. Gostava de te fazer feliz esta noite.

Ah, sim!? Então, deixa-me ir dormir. Não disse, mas pensei.

Conclusão: mulheres deste país, sejam mais inteligentes, e sobretudo pensem duas vezes antes de deitarem qualquer coisa à boca. Depois não venham choramingar que fez dói-dói.

22 comentários:

Pax disse...

O "desespero" (seja o que for que isso possa significar) dá para ambos os lados: há quem ache que é feliz quando dá tudo e há também quem ache que já que é dado... :)

Beijos :)

Patrícia Villar disse...

Não te percebo, afinal a "pita" só te estava a querer tratar como a um "bonsai"...até beijinhos estava disposta a dar, é o que eu digo "O Amor está no ar", bonito!

Anónimo disse...

Ahahahah, cenas desas há quem pagaria para as ter! Sorte a tua meu caro Bruno.
Enfim, gajas há muitas mulheres nem por isso.
Porém é de se ter muito cuidado com quem se deita, pois as doenças pairam no ar.

Um abraço

Bruno disse...

Olá, Anónimo, 'tás bom!
Talvez muita gente pagasse para viver estas cenas tristes, mas uma vez metido dentro do episódio se calhar não tinham grande paciência. A mim, o odor a uísque saído do esófago de alguém provoca-me náuseas, além disso não aprecio mulheres com a mania que são alguma coisa de jeito (acho que anda muita gente a ligar pouco aos espelhos que tem lá por casa) e muito menos aprecio maquilhagens que trazem por dentro uma mulher. Gosto de pessoas ao natural, e este tipo de mulher é tudo menos... natural.

A mulher mais bela é que a tem qualquer coisa. Que não estas que referi atrás.

Quanto às doenças, principalmente o VIH, hepatites e outras, andam aí e não se vêem, mas essas são facilmente preveníveis, agora contra a doença que é a falta de carácter ou a incapacidade para ver os dois lados de uma moeda, contra essas doenças é que não há cura, infelizmente. E o pior é que essas doenças fazem com que aqueles que a têm, nunca venham a perceber que delas padecem.

Bruno disse...

Patrícia,
Dá-se beijinhos ao bonsai? Mas beijinhos, beijinhos, ou é mesmo sexo oral?
Espero que a "pita", que já devia ter para lá de trinta anos (mas que tinha um comportamento de miúda de faculdade), tenha chegado a casa, dormido o sono dos justos, e no dia seguinte tenha percebido a figura estúpida que fez. Mas não lhe reconheço grande lucidez para isso.

Bruno disse...

Pax, obrigado pelo comentário.
Não sei se era "desespero", era mesmo parvoíce. A rapariga não tinha ar de quem costume ficar "desesperada". E com a lata que tinha, desespero não deveria ter. Eu é que não tinha lata, nem paciência para filmes daqueles.
Já se diz, a cavalo dado não se olha o dente. Mas os cavalos não exalam odor a álcool...

alfabeta disse...

O que o álcool faz! Tristes figuras!


Então e não lhe disseste que cheirava a álcool? Preferes dizer que cheiram a frito e a gato?! lol

Cris... disse...

Elá!
Eu sempre disse que não sei engatar.
E, pelos vistos, estou muito melhor assim!

Pax disse...

Pois eu acho que uma mulher que se "oferece" assim, com tanta insistência, que segue um homem até ao carro depois de ele já lhe ter demonstrado a sua falta de interesse, tem-se em muito baixa estima e não se valoriza portanto, no meu entender, é desespero.
E mais: possivelmente nem precisaria de o fazer mas é exactamente por se valorizar tão pouco que, efectivamente, perde grande parte do seu valor aos olhos da maior parte dos homens porque, por muito liberais que todos sejamos, há sempre uma maior atração por aquilo que se conquista em prejuizo do que se tem como oferta (e isto aplica-se a ambos os sexos).

E se a cavalo dado não se olha ao dente... também nem tudo o que vem à rede é (ou deveria ser) peixe ;)

Beijos :)

Afrodite disse...

Infelizmente há muito disso pela noite. Por isso é que digo que o meu só sai à noite comigo ou depois dos 30 eheheheheh! :)
Tenho a dizer que tiveste uma atitude não muito comum e de louvar, admiro-te sem te conhecer...parabéns! A maioria dos ditos homens teriam aproveitado a oportunidade, com a velha máxima de não quererem passar por larilas. Portanto e mais uma vez PARABÉNS, atitude de HOMEM! :)...é bom saber que ainda há pessoas com valores!

Abreijinhos e uma boa semana para ti

Bruno disse...

Alfa!
O álcool e as figuras que ele provoca. Lá que façam as figuras entre eles, estou-me a cagar. Agora, perturbarem a paz de um gajo com a viagem telúrica por dentro de uma garrafa de uísque, poupem-nos.

Poderia ter-lhe dito que cheirava a álcool. Mas nunca se sabe, ainda aparecia algum armário para me dar uma carga de pancada, e eu cá só quero é que me deixem em paz.

Bruno disse...

Olá, Cris!
Mas eras tu aquela pita maluca?
Essa também não sabia engatar. Como se viu.

Bruno disse...

Pax,
não sei se foi insistência. A verdade é que a saída coincidiu (pelo menos, assim me pareceu), e ela aproveitou o embalo para me presentear com mais uma cena do teatro do absurdo.

Creio que tens razão, damos mais valor ao que conquistámos com sacrifício. É por isso que aquilo que nos é dado acaba por não ter tanto valor para nós.

Pareceu-me que a jovem até poderia ser uma excelente profissional, talvez seja inteligente, uma gaja porreira, mas não naquele estado, não naquele dia.

Bruno disse...

Afro!
Achas que a maioria dos homens teria ido de abalada com aquele pedaço de álcool a pingar uma mulher?
Muitos talvez fossem, muitos também não iriam.
Na minha vida, sigo três premissas fundamentais:
- nunca pirilampar a mulher do próximo (namorada do meu amigo, minha amiga é)
- nunca pirilampar colegas de trabalho
- nunca pirilampar uma mulher fora do seu estado normal de lucidez.

O que me chateia nesta merda toda é que, se quiser sair à noite, não posso fazê-lo sem levar atreladas uma ou duas gajas. Porque convencionou-se que um gajo que entra numa casa nocturna sozinho (ou dois gajos ou três, ou cinco) trazem maus agoiros. Quantas vezes me apetece sair e não ter de levar apêndices femininos? Se calhar têm de começar a pensar em barrar mulheres sozinhas à porta de discotecas. Desagrada-me esta tentativa de fazer da noite um repositório de (des)encontros sexuais. É afinal o que fazem os donos dos locais da noite.

mf disse...

Até me arrepiei com a história, para te ser honesta, mas não me espantei. Infelizmente, parece-me cada vez mais comum, cada vez mais banal o engate puro e duro, com ou sem álcool à mistura, apenas porque naquele dia apetece não ir para a cama sozinho/a. Fico sempre a pensar o que sentirão essas pessoas quando acordam ao lado de alguém de quem muitas vezes não sabem o nome.
E essa de não poderes sair sozinho deixou-me de boca aberta... Tu muda de cidade, pá! Então mas agora uma pessoa já não pode sair só com os seus botões??

Cris... disse...

Não, pa.
Duvido que eu tivesse sequer tentado engatar-te!
Não bebo tanto assim, pa.

Bruno disse...

Nesta cidade, tornou-se moda que os homens para sair à noite, tenham de levar atrelada uma ou várias amigas. Porque se for um grupo de rapazes ou um homem sozinho tem entrada barrada como se mostrasse um certificado médico de que apresenta sintomas de tuberculose.

Acredita que há muita gente que se come sem sequer se saber de cor o nome do gajo ou gaja que tem à frente.

Bruno disse...

Cris, fico mais descansado. Ainda bem que não eras tu, nunca mais leria os teus comentários da mesma forma.
Quanto ao não beber tanto assim, estou certo de que se perguntasse à gaja algo dentro do género ela me diria que não bebe nada, só bebe um bocadinho.

quase Eu disse...

nao disseste mas podias ter dito... realmente este país está em decadência, começando pelas camadas mais jovens...

Bruno disse...

Olá, Quase Tu!
Há momentos em que mais vale estarmos calados. Estou a imaginar-me a dizer-lhe o que me ia na alma e rapariga a agarrar-se-me ao pescoço como uma preguiça e passados uns segundos a regurgitar-me para cima. A última coisa de que um gajo precisa é que de chegar a casa com a roupa a cheirar às entranhas de alguém que se enfrascou com uísque ou bebida análoga. Só de pensar que hoje teria entrado no carro e ainda lá teria os resquícios desse cheiro, até me dá náuseas. Felizmente não aconteceu, mas poderia ter acontecido.

provocação disse...

Lol, ela bêbeda diz-te "Deixa-me fazer-te feliz esta noite" ???? LOL, que romântica pá, já não há mulheres assim...o teu texto é todo ele um bocado trémulo, mas se calhar fui eu que bubi demais...

Bruno disse...

Olá, Provocação, obrigado pelo comentário. Olha "trémulo" é que (eu) não estava. Por mim, ela poderia ter dito o que entendesse, com maior ou menor romantismo. O problema é que mulheres assim parece-me que há cada vez mais.