5.3.09

O que foi inventado primeiro: Portugal ou os portugueses?

É sabida a capacidade do bom português para inventar tudo o que há de mais inútil. Não está no Livro do Génesis, mas sabemos que quando Deus preparou a espécie humana chamou um português para que se entretivesse a inventar qualquer coisa inútil. E o português depois de muito pensar inventou a mulher. O que sucedeu foi que Deus solicitou ao pobre português a invenção de um objecto perfeitamente inútil com o qual o homem se pudesse divertir à noite depois de chegar a casa exausto de um dia de caçadas. E aquele português, afectado nesse domingo pela derrota humilhante do seu Benfica no campo do Grutas de Lascaux, em jogo a contar para a Liga dos Campeões Pré-históricos (os espanhóis do Grutas de Altamira foram à final nesse ano), não esteve com meias medidas, olhou para a panela de pressão, para a embalagem do Cif, e disse: “não faz muito o meu género, mas hoje é que vou ter mesmo de inventar a mulher!”

Claro, estou a brincar. Na verdade, quem inventou a mulher foi um espanhol.

A Humanidade, essa ingrata, deve muito a Portugal no campo das invenções. Por exemplo, o prefixo ‘pré’ deve-se a Portugal. Sem ele, hoje viveríamos já no período da História, uma humilhação para um povo milenar e bastante antigo como o nosso. Assim, continuamos e continuaremos na pré-história, que é o nosso lugar. Outra, quiçá a principal invenção até hoje, fica também a dever-se ao prestimoso povo português: o fogo. Para sermos honestos e não adulterarmos a precisão histórica, há que dizer que a invenção do fogo se deve em partes iguais a um português e a uma sueca.

O português acoitava-se em cima daquele lombo sueco à procura de inventar o orgasmo. Enquanto não conseguia chegar a essa maravilhosa descoberta, o português entretinha-se a inventar palavrões uns atrás dos outros. Mais palavrão, menos palavrão, e já depois de ter conseguido inventar o imprevisível ponto g (embora esta invenção pré-histórica ainda hoje esteja por provar), o português exultou, convencido de que finalmente, à 3691ª tentativa, teria conseguido inventar o orgasmo feminino. Na verdade, tratava-se sim da invenção escandinava da simulação do orgasmo feminino. Mais uns palavrões e mais umas metáforas sexuais do imaginativo português, e uma das mais bem conseguidas invenções portuguesas acabava de acontecer: “Ó filho, acabaste de inventar a falta de virilidade”; ao que o português de imediato ripostou, tratando de inventar a violência doméstica e calou a boca da sueca à força de duas bem mandadas arrochadas à portuguesa. Era uma época muito alvoroçada, esta das invenções.

De todas as invenções de que há memória, a do fogo foi aquela que até hoje mais incêndios vem provocando. É certo que o português e a sueca não conseguiram inventar o fogo nesse dia, mas o mesmo português, insistente, não desistiu, e no dia seguinte teve uma ideia. A ideia é também uma invenção portuguesa. A boa ideia.

Estavam então dois portugueses descansadinhos lá na pré-história, uma mão a afagar o bigode, outra coçando as partes podengas, quando um deles se lembra: “ouve lá, esta coisa das bolas foi das coisas mais bem inventadas logo a seguir ao bigode”; o outro responde: “pá, se inventámos os dedos, tínhamos de inventar alguma coisa para os entreter.” O vigor empregue nesse exercício de fricção era tanto, que escassos foram os minutos necessários para estar descoberto o melhor amigo do incendiário: o fogo. Enquanto o português com o baixo ventre em combustão bramia aos deuses pela sua masculinidade perdida, o outro português, esperto, associou de imediato: “espera lá, se isto dá com os tomates, também deve dar com a pedra de sílex!!!” Este português recebeu um prémio qualquer, de uma associação de bombeiros.

Para quem não se recorda dessa época, nós avivamos a memória e recordamos que naquela altura da idade da pedra, mesmo com a dita, o entretenimento escasseava. Havia duas ou três salas de cinema, embora sem filmes, porque nessa altura ainda o cinema não tinha sido inventado, e assim os portugueses passavam o dia de papo para o ar a tentar inventar o pipi que acompanhasse a Imperial que já tinham inventado. O ócio, essa invenção lusitana, contrapôs-se ao tédio, que foi tempos mais tarde inventado por uma espécie de portugas insubmissos que já tinham engendrado inventar a emigração. Só para serem do contra, estes portugas inventaram também o ser franciú e acharam que, já que tinham inventado o ser franciú, deviam inventar também o conceito de casas à la maison, que em tempo de regresso de férias contribuiriam para dar origem ao tédio.

O tão português ócio é porventura a mais importante invenção de todos os tempos. Não é necessária muita inteligência (conceito ainda não inventado) para entender o porquê. O ócio em excesso conduziu à invenção do um dos cunhos do portugalidade, a barriguinha, o chamado abdómen acabrunhado:
“mas ó português da pré-história, se nós já inventámos o pneu, temos de pedir a alguém que invente a roda”
“deixa estar, alguém se há-de encarregar disso.”

Nem todas as invenções dos portugueses eram espalhafatosas. Algumas eram mesmo bem subtis, dissimuladas, cínicas mesmo:
“Mmm, cheira-me que acabaste de inventar a bufa.”
Uma invenção que desde logo se revelou muito imperfeita.
“Isso pode ser aperfeiçoado; ouve-me só isto!”
E estava inventado o traque.

Às tantas começaram a escassear coisas para serem inventadas. A máquina de café estava inventada, o casamento também, o divórcio também, a troca de casais também.
“Ó tuga pré-histórico, então e agora o que é malta vai inventar?”
“Eh pá, e se inventássemos a chico-espertice?...”
“Está bem, vira para cá a bilha.”
“Mas espera lá, a bilha já foi inventada?”

(texto republicado)

17 comentários:

heidy disse...

Falas falas falas... mas precisaste de uma mulher para te fazer vir ao mundo! (Toma e embrulha)

provocação disse...

Já experimentaste a arte da découpage?

Ana GG disse...

"E p'ó cu? Não vai nada?"

Ó Bruno...tem juízo!
:S

Bruno disse...

Olá, Heidy.
Mas é claro que precisei de uma mulher para vir ao mundo. E de um homem. E todos os dias preciso de mulheres para tanta coisa. E de homens.
Não falei nada, apenas escrevi. Mas era tudo inventado.

Bruno disse...

Olá, Provocação, boa tarde.
Não, não experimentei a arte da "découpage", julgo eu.
Explica-me o que é essa cena, que o meu franciú anda muito por baixo.

Bruno disse...

Olá, Ana GG.
Vou pensar se sigo o conselho.

Ana GG disse...

:D

heidy disse...

Boa resposta! :) Foi o meu lado mauzinho a vir ao de cima...

provocação disse...

Não é só o franciú, a parte imaginativa também, porque este teu texto está lamentável...

Bruno disse...

Olá, Provocação. Porque é que o texto está lamentável?

provocação disse...

Porque não tem piadinha nenhuma.

Pax disse...

LOOOOOOL

É que eu até achei piada a a várias coisas :)

Se bem que o futebol em Altamira é um dado impreciso. Lá praticava-se mais um desporto chamado bolinha rasteira (que o pé direito não permite alturas).

:)

Bruno disse...

Olá, Provocação. Mas isso de não ter piadinha é um dado subjectivo, e não faz de nada deste mundo alguma coisa de lamentável. Mas fica lavrado o teu voto de protesto.

Bruno disse...

Pax,
em Altamira era futebol de salão à moda antiga, daquele que não permitia que a bola (na altura um calhau) subisse para lá do joelho.

Pax disse...

"(na altura um calhau)"

E foi por causa de uma lesão grave no dedo grande do pé esquerdo do ponta de lança (que impossibilitou a sua venda para o Niaux e provocou o seu final de carreira) que eles decidiram inventar o sapato ;)

Bruno disse...

... mas antes disso inventaram a sandália, porque a lesão do homem pré-histórico no dedão grande do pé era impeditiva de calçar aquela chaussure. Depois da sandália, e sarada a lesão, inventaram o sapato. E depois no Brasil estavam duas mulheres a olhar para os pés uma da outra e decidiram inventar o "sapatão".

José Carlos disse...

estava curioso com o povo português, pesquisei e depois de ler o teu blogue, vi que se todos os portugueses fossem como tu, só teriam merda nos coiratos, tem zuijo e levanta o teu país...JC