10.3.10
9.3.10
Luís Freitas Lobo
O nariz de Sócrates
Como é que eles fazem isto? O primeiro-ministro chama a imprensa às oito da noite e fala aos súbditos da nação. O tema é sério, é o PEC (Plano de Estabilidade e Crescimento), uma espécie de Viagra para as contas públicas. Um vinagrete do caralho, digo eu. O chefe do governo disserta então sobre a importância da estabilização do défice e comunica os pontos principais deste PEC: “não vai haver aumento de impostos.” E eu pergunto, como é que eles fazem isto? O primeiro-ministro repete-o até à exaustão: “não vai haver aumento de impostos”, e uma vez mais, “não vai haver aumento de impostos”… e outra ainda, “não vai haver aumento de impostos”… “com excepção de uma nova categoria de IRS para pessoas com mais rendimento”. Não vai haver aumento de impostos, mas, afinal… talvez haja um pequenino aumentozinho de impostos, ou algo do género. E eu pergunto, como é que eles fazem isto? Como é que eles conseguem pô-lo com aquela cara de varapau a dizer que não vai haver aumento de impostos, sabendo-se que vão ser reduzidos os limites dos benefícios fiscais para a chamada classe média, ou que os rendimentos colectáveis superiores a 150 mil euros anuais vão ser taxados numa categoria agravada de IRS a 45%. Como é que eles fazem isto? Qual é o truque, pergunto eu? Como é que eles conseguem pôr o primeiro-ministro a dizer uma coisa e simultaneamente a dizer o oposto sem que lhe cresça o nariz. Expliquem-me como conseguem? É que tem de haver marosca…
Privatizar
O Dia da Mulher
8.3.10
7.3.10
Jardim vs Sócrates vs Jesus
Alberto João Jardim aparece na televisão a falar um inglês quase perfeito. Isto tem que se lhe diga, já que o percurso académico de Jardim é conhecido por ser tudo menos primoroso, a que acresce ele pertencer a uma geração com conhecimentos bem mais profundos do dialecto de Mickael Carreira do que do idioma extenuadamente trinado por David Fonseca.
O mesmo não pode ser dito sobre o actual primeiro-ministro, que apresenta um percurso académico tudo menos académico, com distinção em germânicas técnicas, mas sem correspondência nas suas capacidades de expressão, que são risíveis, como bem poderão escutar adiante.
E as de Jorge Jesus? Quando estiver a orientar o Bolton Wanderers sob o patrocínio de uma conhecida chewingum inglesa, como é que ele vai dizer "já estamos em primeiros" ("We are alreadey firstes")?
Je suis inquieté, pá...
6.3.10
5.3.10
A moderação de comentários explicada às maçãs
Opiniões conformes com as do autor são publicadas e candidatas a um prodigioso telemóvel Shamechunga Pipi.
Opiniões opostas às do autor são publicadas, mas despertam nos visitantes um interesse diminuto e revelam-se quase sempre uma perda de tempo.
Opiniões que não me apeteça não são publicadas, simplesmente porque não me apetece, ó messa!
O facto deste texto ter sido inspirado por uma publicação da autoria da Pipoca não significa que alimente por ela uma maior admiração do que aquela que tenho pela Kitty. Pensá-lo seria como supor que gosto mais do papá do que da mamã. Gosto de ambos por igual, sendo que a mamã tem uma coxa mais grossa do que o papá, mas em compensação o papá tem mais pêlos no peito do que a mamã. O papá é um carpélios e a mamã trabalha para as Alcatifas Petróleo.
Optei por activar a moderação porque passo longas temporadas ausente de uma rotina que me permita estar atento a todos os comentários, e porque reclamo o direito de não ser o último a conhecer o que escrevem sobre mim. Tenham lá paciência, mas não me parecia justo que o Maradona, que é leitor assíduo embora não o queira reconhecer às maçãs, ficasse a saber antes de mim por um comentador desvairado que a minha progenitora desenvolve uma actividade de cariz liberal não colectada nas finanças mas com domicílio fiscal nas avenidas novas.
O vampirismo e as mulheres periódicas
A praga do vampirismo estendeu-se à blogosfera, e o que o pessoal mais quer é sangue e mulheres periódicas. Eu que o diga, que tenho um blogue com uma média de três visitas diárias (eu, o meu cão, e um conhecido e perigoso plagiador da nossa praça) e que, graças a um inocente comentário e a um posterior texto sobre uma guerra de mulheres com TPM, registo agora uma média de 400 visitas diárias.
E tudo isto de um dia para o outro, enquanto o Sócrates esfregava um olho em Moçambique.
Queridos leitores, sinto-me como um pai babado por testemunhar que a minha criança cresceu e se emancipou: a minha expressão "Kitty da Coxa Grossa" ganhou vida própria e já anda nas bocas do mundo.
Oxalá não engasgue ninguém!
4.3.10
O melhor cego
Por vezes é preciso chegar um cego para nos fazer ver que podemos transformar uma aparente derrota numa aparente vitória.
2.3.10
Considerandos sobre Coxa Grossa
Quando aqui me ocorreu apelidar a estimada autora do blogue O Amor é Um Lugar Estranho com o simpático qualificativo de Kitty da Coxa Grossa (KCG) não fazia ideia do tropel que esta imagem causaria entre as desarvoradas almas que consomem o fúcsia na blogosfera portuguesa.
Só durante o dia de ontem, mais de 400 pessoas acercaram-se deste blogue trazidos pela entusiasmante pesquisa “kitty da coxa grossa”.
Quero aqui ressalvar, em minha defesa e em defesa da própria KCG, que este atributo não enferma de qualquer segundo sentido que vise eventualmente depreciar o carácter da CG em questão. Tanto mais que não tenho o prazer de conhecer dita figura, ou sequer me sinto possuidor de uma autoridade que permita tecer considerandos laterais sobre a personagem K.
O epíteto Kitty da Coxa Grossa nasce de uma visão factual da espessura, volume e densidade da região femoral da dita. É uma análise factual ao pernão em causa, baseada nos exemplos abundantemente dados observar no blogue da KCG.
Acompanhei com interesse e bastante satisfação o esforço argumentativo que tem pautado esta acção de guerrilha entre Pipoca e KCG, com avanços de peões e aberturas escocesas disfarçadas de ataques directos à Dama.
Mas não há bela sem senão, ou seja, não há Pipoca sem KCG, já diria a primeira. A discussão ganha foros de irracionalidade quando o argumentário enfraquece e o pulsar do disparate ultrapassa o mínimo da capacidade de raciocínio. Entra-se no género de argumento infantil e sem sustentação à moda do eu fiz e tu não fizesteS, se tu fizesteS eu também posso fazer ou a pilinha do meu pai é maior do que a da tua mãe. Lamentável. Mas divertido, hélas...
Não posso concordar com referências a eventuais problemas de saúde feitas com o intuito de melindrar ou de aviltar posições discordantes, nem me parece aceitável que tal possa servir de argumento para o que quer que seja, positivo ou negativo, da parte da KCG ou dos seus detractores.
“E há quem decida achincalhar os outros gratuitamente (criando guerras que nunca existiram) em praça pública, recorrendo a todas as armas. Incluam elas troçar do aspecto físico dos outros, assim à laia de crianças quando faltam argumentos para justificar tamanhos actos (caixa de óculos, gordo, feio, dentolas)” (Kitty, in O Amor é Um Lugar Estranho)
Não sei se nesta crítica da KCG se incluem as reflexões e os comentários jocosos tecidos pela própria a propósito das gengivas inflamadas que se avistam nas fotos pré-orgásticas de Clara Pinto Correia.
Não sei se é de sentir nojo, raiva ou pena. O que reconheço é que todos têm telhados de vidro. E que todos insistem em lançar pedras contra telhados alheios, mas poucos estão disponíveis para dar o telhado às pedras.
Este texto só acontece aqui dada a impossibilidade de partilhar a análise no espaço onde ela deveria ser feita, porque lá, no blogue da Kitty da Coxa Grossa, apenas são admitidas opiniões de sentido único, condizente com os da Miss Botifarra do Fórum Almada.
Parafraseando outra alma lusa do hermeneutismo português, expressão que não podia ser mais adequada à situação vertente: "a boca morre pelo peixe".
1.3.10
Kitty da coxa grossa
Pipoca versus Kitty
O Arlequim das Cantiguinhas
Ele tem o toque de Midas. Depois de ter escavacado sem contemplações uma música antológica de Ornatos Violeta, desta vez tratou de assassinar com requintes de malvadez outra composição inatingível, "Espalhem a notícia", de Sérgio Godinho. O mal seria menor, não fosse o ar estupefacto do autor da música, com quem era feito o dueto, e do Presidente da República, na primeira fila do Coliseu, à procura de um sítio onde esconder a cremalheira, para não se desmanchar a rir.
Ele chama-se Filipe Pinto e foi eleito o Ídolo de Portugal. A avaliar pelas amostras e pela postura rígida em palco, de quem parece que viu enfiada uma vassoura pelo rabo acima, o Eddie Vedder da Asprela não vai mais longe do que até ali ao virar da esquina. Até a eléctrica Diana ou até o proto-gay Carlos se safaram melhor no espectáculo desta noite, de solidariedade para com as vítimas do temporal na Madeira.
23.12.09
Feliz Navidad, diz ele em grego
16.12.09
Avatar em 3D
Fui assistir à antestreia do novo filme de James Cameron, deram-me para as mãos um par de óculos que me puseram com um aspecto que mais parecia o Roy Orbison e lançaram-me para dentro do universo da estereoscopia cinematográfica. Dizem eles que isto é o futuro, que a partir de agora vai ser sempre assim. Dizem eles que este filme estará para o cinema como o Magalhães esteve para o sistema de ensino português, seja lá o que for. Não, eles não dizem isso. Eles nem sabem o que é o Magalhães.
Depois de quase três horas de nariz para o ar a ver figuras e objectos serem disparados na direcção dos meus braços, diria que a fórmula se esgota em alguns aspectos primordiais: os truques de Cameron para criar a ilusão de profundidade são repetitivos; assistir a um filme 3D numa tela de cinema de dimensões limitadas à parede frontal da sala é a mesma coisa que ouvir uma sinfonia de Beethoven tocar num rádio de loja chinesa.
Quanto ao resto: o enredo é uma fábula relativamente fraca.
13.12.09
Benfica e o génio de Jorge Jesus
O Benfica arrisca passar o Natal no terceiro lugar do campeonato, atrás de Sporting de Braga e Futebol Clube do Porto. Muitos serão levados a questionar que motivos profundamente irracionais levam o adepto benfiquista (aquele adepto tão dado a viajar entre estados de fúria e momentos de êxtase), desde uma fase tão precoce da temporada, a manifestar uma histeria tão desmedida e um elogio unânime e inquestionável ao cavalo branco, Jorge Jesus. Estranho a euforia que reina nas hostes encarnadas e os epítetos com que a visão acrítica da imprensa desportiva cataloga o desempenho dos jogadores do Benfica nesta edição da liga.
Na próxima jornada o Futebol Clube do Porto visita Lisboa. Uma vitória dos azuis empurra o clube do milhafre para o lugar mais baixo do pódio. Se nos lembrarmos que na época passada o Benfica conquistou o título fátuo de campeão de Inverno – uma evolução daquilo que tinha sido nas épocas anteriores o abono familiar do museu encarnado, a recorrente conquista do título de campeão do defeso –, é lícito concluir que, em período homólogo, a performance do mal-amado Quique Flores quedou-se uns valentes furos acima do desempenho, para já vago, do idolatrado Jorge Jesus. Na última temporada, Quique Flores chegou ao final da primeira volta em primeiro lugar; este ano, Jorge Jesus arrisca-se a ultrapassar a metade da época numa pouco prestigiante e frustrante terceira posição.
Não há que enganar: se um se destaca pelo intenso esbracejar, por mascar maços inteiros de pastilhas super-gorila de uma forma quasi desbragada, já o espanhol, senhor de patilha grossa e filho de boas famílias, distinguia-se pelo porte fleumático, que em Portugal o terá levado a conquistar uma Taça da Liga com o peito, e uma Orsi com um par deles.
A fauna benfiquista está em alerta, mas, passe o que passar, a tribo dos pastilhas já conquistou o seu campeonato, e Jorge Jesus um lugar na História. Se o Futebol Clube do Porto vencer no próximo fim-de-semana no Estádio da Luz, todos têm razões para ficar contentes. O FC Porto porque arrisca ser líder, o Sporting de Braga porque pode manter-se em segundo lugar lutando por uma posição de acesso à Liga dos Campeões, o Benfica porque o terceiro lugar é um dos primeiros da fila e a equipa está a jogar um futebol brilhante à Mister Jesus... e o Sporting porque se mantém acima da linha de água.
Há fenómenos que eu não entendo. E um deles é este, o de encomendar com esta antecedência as faixas de campeão, mesmo antes sequer do meio da temporada.
Nota final: das bancadas do Estádio do Dragão, os petizes gritam para dentro do relvado, chamam pelos ídolos, chamam pelo Hulka!
11.12.09
O olhar das palavras
Catching the big fish
Hoje estou em apneia...
10.12.09
Jorge Colombo, arte na ponta dos dedos
2.12.09
O prefácio do proémio
«A ideia do proémio, confesso-o, mantive-a até ao derradeiro instante no rascunho que deu vida a esta espécie de pecado original. Era o que melhor me soava, havia nele algo que lhe conferia proximidade humana: Noémio, o boémio. Mas a proposta, que eu julgava um recurso final irrefutável, acabou por ser alvo da rejeição do meu editor, por ausência, dizia-me, de fôlego comercial:
“Um gajo abre o livro nesta página, lê o cabeçalho da tua introdução, fica a rir-se de ti e prefere ir ler os plágios dos outros”, concluía o homem, franzindo o sobrolho e mascando uma chicla, enquanto pegava noutro dos muitos manuscritos que diariamente aterravam na sua mesa de trabalho:
“Coma”, disse-me ele.
“Não tenho fome”, respondi.
“Nada disso: Coma, o próximo grande sucesso mundial, depois de 2666”, explicou-me, apontando o dedo para o nome do autor daquele esboço de obra-prima: Abrunho Plagiehr, o temível auto-intitulado Escritor da Wikipedia.»
1.12.09
Verdades e consequências
Não sei se tu és, mas eu não cultivo esse hábito. Não tenho o costume de fugir à verdade. Tenho com ela uma relação estimada, muito próxima, quase carnal. Somos amantes inseparáveis, acicatamos frequentes burburinhos sexuais mútuos, somos a carne de um e a unha do outro, e só nos chateamos quando eu preciso mesmo dela e ela me foge numa criminosa isenção de auxílio à vítima. Com a outra, não me dou nada bem. É uma amante desprezível, com a qual não consigo fomentar qualquer outro sentimento que não o de repulsa, a resvalar para os compartimentos do ódio. A verdade é doce. A irmã é acre. Infelizmente, provo-a com a certeza de que deveria estar imune aos receios que ela me traz.


